Economia

Tarifaço dos EUA: US$ 7,4 bi afetados e o plano das indústrias brasileiras

Guerra comercial EUA Brasil: tarifaço afeta indústria e exportações
Indústria brasileira busca novas rotas de venda para enfrentar o tarifaço de 25% imposto pelos EUA.

Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, afetando cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações. O que parece mais uma rodada de uma guerra comercial esbarra, no entanto, na capacidade de resistência da indústria nacional. Como as empresas estão reorganizando suas rotas de venda para evitar um colapso no faturamento?

O tamanho do impacto e o efeito dominó

Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), approximately 18% das exportações do Brasil para os EUA sentirão o peso da nova barreira. Para setores que dependem fortemente do mercado americano, o choque de custos é imediato. Mas o efeito mais relevante aparece na ponta fabril.

No setor moveleiro, por exemplo, quase um terço das exportações tem os Estados Unidos como destino. A diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), Cândida Cervieri, alerta que o cenário já provoca demissões. Desde o ano passado, polos industriais de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais registraram cerca de 10 mil desligamentos.

A ilusão da diversificação rápida

A estratégia mais óbvia para fugir das tarifas seria encontrar novos compradores em outros mercados. Na prática, however, a manobra esbarra no tempo necessário para construir confiança entre parceiros comerciais. Cada país possui características próprias de regulação e consumo.

Além disso, o mundo inteiro sofre com a política comercial americana. Na prática, todos buscam novos clientes simultaneamente, o que aumenta a concorrência global e reduz o poder de barganha do exportador brasileiro.

As demandas por ajuda emergencial

Para o setor calçadista, a divisão do custo da tarifa com os importadores funcionou no ano passado, mas perdeu fôlego em 2024. Diante disso, representantes de vários setores já se reuniram com o governo federal. O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, levou propostas ao vice-presidente Geraldo Alckmin.

As principais reivindicações concentram-se em desoneração fiscal e proteção do mercado interno. As propostas incluem:

  • Fortalecimento do Reintegra: devolução de tributos pagos ao longo da cadeia produtiva às exportadoras.
  • Crédito-prêmio à exportação: geração de créditos tributários para compensação de impostos.
  • Diferimento de tributos: concessão de prazos maiores para o pagamento de impostos federais.
  • Barreiras à importação: uso de instrumentos legais para conter o avanço de produtos estrangeiros no Brasil.

Enquanto isso, o setor têxtil defende a diplomacia. O diretor-superintente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, reforça a necessidade de manter o diálogo e eventualmente aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite respostas a países que imponham barreiras ao Brasil.

O que observar daqui para frente

As tarifas de 25% entram em vigor nesta quarta-feira (22), mas a tensão não deve terminar aí. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, sinalizou que novos anúncios chegarão nos próximos dias para cerca de 60 países.

Nesta próxima rodada, a alíquota adicional deve variar entre 10% e 12,5%. O alvo serão nações que, segundo a visão americana, falharam na fiscalização contra o trabalho forçado. Investidores e empresários devem ficar atentos à diplomacia bilateral, pois a solução de curto prazo passará necessariamente pela negociação política e pelo uso de mecanismos de compensação fiscal no mercado interno.