Economia

CSN vende usina na Alemanha por R$ 3 bi: o segredo do desendividamento?

Usina siderúrgica da CSN na Alemanha vendida para grupo espanhol Megasa por R$ 3 bilhões
CSN vende controle da usina SWT na Alemanha para Megasa por 550 milhões de euros em plano de desendividamento

A CSN acaba de assinar acordo vinculante para passar o controle da SWT, sua usina de aços longos na Alemanha, para o grupo espanhol Megasa por 550 milhões de euros — cerca de R$ 3 bilhões. A operação marca mais um capítulo no agressivo plano de desinvestimentos da siderúrgica brasileira. Mas a pergunta que fica é: o valor será suficiente para mexer no ponteiro da alavancagem?

O negócio em números e prazos

A compradora, Bipadosa, controla a Megasa, grupo siderúrgico com fábricas na Espanha, Portugal e França. O contrato prevê um período de exclusividade de dez semanas para a assinatura dos documentos definitivos.

Em 2012, a CSN pagou 482,5 milhões de euros (R$ 2,6 bi na cotação da época) pelo ativo, assumindo a premissa de “endividamento zero”. Na prática, a venda atual representa um ganho nominal em euros, embora o câmbio e a inflação no período exijam uma leitura atenta do retorno real.

Impacto direto: a dívida de R$ 42 bi

O alvo principal da transação é o balanço. No fechamento de junho, a alavancagem financeira (dívida líquida/EBITDA) estava em 3,49 vezes, com dívida líquida total de R$ 42,1 bilhões.

A entrada de R$ 3 bilhões no caixa ajuda, mas não resolve sozinha. Analistas de mercado projetam que a redução da alavancagem para patamares abaixo de 3,0x dependerá da combinação desta venda com a alienação da CSN Cimentos, cujas propostas vinculantes superam R$ 10 bilhões.

Por que vender um ativo em alta?

A decisão pode parecer contra-intuitiva. No segundo trimestre deste ano, a SWT registrou sua melhor marca de vendas desde o primeiro trimestre de 2022: 205 mil toneladas. A capacidade instalada é de 1,1 milhão de toneladas/ano.

A lógica, porém, é estratégica: a CSN prioriza o foco no Brasil e a redução de risco cambial. A usina alemã exigia capital de giro e investimentos de manutenção em euro, moeda que pressiona o resultado consolidado quando o real se desvaloriza.

O tabuleiro de ativos internacionais

A movimentação não é isolada. A trajetória da CSN no exterior tem sido de enxugamento progressivo:

  • 2018: Venda das operações nos EUA para a Steel Dynamics.
  • Atual: Manutenção da Lusosider (Portugal), produtora de aços planos.
  • Em andamento: Processo competitivo pela CSN Cimentos (Huaxin, Votorantim/Cementir na disputa).

O que observar daqui para frente

O fechamento da venda da SWT depende de condições precedentes padrão e da aprovação antitruste na Europa. O mercado deve monitorar dois gatilhos nos próximos trimestres: a conclusão efetiva da venda da unidade de cimentos e a destinação do caixa — se haverá recompra de dívida cara ou distribuição de proventos. A combinação desses dois desinvestimentos é que definirá se a CSN consegue reclassificar seu perfil de risco junto às agências de rating.