Internacional

EUA suspendem green card da Microsoft: fraude no H-1B exposta

Vice-presidente JD Vance anuncia suspensão de green cards da Microsoft por fraude H-1B
Governo Trump bloqueia patrocínio de green cards da Microsoft e outras big techs por suspeita de fraude no visto H-1B.

O governo Trump bloqueou nesta quinta-feira (8) o programa que permitia a Microsoft, Adobe e outras sete gigantes da tecnologia patrocinarem green cards para funcionários estrangeiros. A medida atinge diretamente milhares de profissionais que já vivem e trabalham legalmente nos EUA.

O anúncio partiu do vice-presidente JD Vance e do secretário do Trabalho, Keith Sonderling. Nenhum novo pedido será aceito e os processos pendentes ficam congelados por tempo indeterminado.

Acusações diretas: “fraude provavelmente nas últimas décadas”

Vance não usou meias-palavras. Disse que o visto H-1B — criado para preencher vagas impossíveis de ocupar com americanos — virou porta de entrada para mão de obra barata. “Provavelmente nas últimas décadas”, reforçou, sugerindo esquema sistemático.

A lista de empresas afetadas vai além do Vale do Silício tradicional:

  • Microsoft (foco principal do anúncio)
  • Adobe
  • Cognizant, Infosys, Tata, Wipro, HCL — grandes provedoras de serviços de TI indianas
  • Capgemini — consultoria francesa com forte presença nos EUA

Juntas, essas companhias respondem por parcela significativa dos pedidos de H-1B anuais. A Índia lidera como país de origem dos beneficiários, seguida pela China; o Brasil ocupa o 9º lugar no ranking.

O impacto imediato para quem já está no processo

Funcionários com certificação trabalhista permanente em andamento entram em limbo jurídico. Não há prazo para retomada, nem garantia de que os casos atuais serão analisados sob as regras antigas.

Advogados de imigração corporativa relatam aumento súbito de consultas de emergência. A incerteza atinge planejamento de carreira, compra de imóveis e decisões familiares de profissionais que, em muitos casos, vivem nos EUA há anos.

Universidades na mira: o próximo alvo é o visto J-1

Vance estendeu o ataque a nove instituições de elite — Harvard, Yale, Stanford, Brown, MIT entre elas. Acusa-as de usar o visto J-1 (intercâmbio de estudo/trabalho) em volumes desproporcionais, sugerindo desvio de finalidade.

O governo promete “reformar” ambos os programas, mas não apresentou cronograma nem detalhes das novas regras. A ambiguidade intencional aumenta a pressão sobre empregadores e universidades.

Cenário maior: ofensiva coordenada contra imigração qualificada

Na véspera, o Departamento de Segurança Interna propôs taxa de US$ 70.000 por estudante internacional que queira trabalhar via OPT (Treinamento Prático Opcional). A conta seria paga pela universidade, não pelo aluno — mas o custo inevitavelmente seria repassado.

Restrições recentes a trabalhadores da China e Índia completam o quadro. A estratégia parece clara: encarecer e burocratizar a contratação de talentos estrangeiros até que “contratar americano” vire a única opção viável.

O que observar daqui para frente

Três pontos definirão o desdobramento prático nas próximas semanas: (1) se a Microsoft e as demais contestam judicialmente a suspensão — precedente existe para questionar atos administrativos sem regulamentação prévia; (2) como o Departamento do Trabalho instruirá seus analistas a lidar com os processos congelados; (3) se o Congresso reagirá, já que setores como saúde e defesa dependem pesadamente de mão de obra H-1B. Empresas com exposição a esses vistos devem revisar pipelines de contratação e preparar planos B para retenção de talentos-chave.