A Oi fechou 2025 com um prejuízo líquido de R$ 36,4 bilhões, enquanto a receita encolheu 18% para R$ 2,59 bilhões. O buraco no balanço expõe a dificuldade de gerar caixa numa operação que segue em recuperação judicial.
O número chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pelo que revela sobre a dinâmica de custos fixos versus receita em queda. A pergunta que fica: até quando a estrutura aguenta?
Receita derrete, custos não acompanham
Entre janeiro e dezembro do ano passado, a tele faturou R$ 2,59 bilhões — queda de 18% frente a 2024. Em contrapartida, despesas operacionais e financeiras mantiveram-se em patamares incompatíveis com essa geração de caixa.
O descompasso explica o prejuízo de dois dígitos em bilhões. Cada real que entra mal cobre juros e manutenção da rede legada.
- Receita 2025: R$ 2,59 bilhões
- Queda anual: 18%
- Prejuízo líquido: R$ 36,4 bilhões
O peso da dívida e da rede legada
A companhia carrega uma estrutura de capital pesada, herdada de investimentos em infraestrutura de cobre e fibra que não se pagaram no prazo esperado. A migração de clientes para concorrentes e a substituição de voz por dados reduziu a base contribuinte.
Sem escala suficiente, a diluição de custos fixos não ocorre. O resultado é uma queima de caixa contínua que o processo de recuperação judicial tenta endereçar, mas que ainda não encontrou ponto de equilíbrio.
Impacto direto para credores e acionistas
Para detentores de dívida, o prejuízo amplia a incerteza sobre recovery rates no plano de reorganização. Quanto mais tempo a operação gasta sem gerar caixa operacional positivo, menor o valor presente dos ativos a serem distribuídos.
Acionistas minoritários veem a participação diluída a cada rodada de capitalização ou conversão de dívida em equity. O papel segue volátil, negociado mais como opção de recuperação do que como ativo de renda.
Cenários para os próximos trimestres
A venda de ativos não essenciais — data centers, torres, participação na V.tal — segue como alavanca principal para reduzir alavancagem. O cronograma de desinvestimentos, porém, depende de aprovações regulatórias e de mercado comprador.
Outra frente é a simplificação do portfólio: foco em fibra nas regiões onde a Oi tem densidade competitiva, abandono progressivo de cobre e parcerias de atacado para completar cobertura.
O que observar daqui para frente
Três indicadores dirão se a trajetória muda: evolução da receita líquida por unidade geradora de caixa (UGR), ritmo de redução da dívida bruta e, principalmente, se o EBITDA ajustado consegue virar positivo de forma sustentada. Sem isso, o prejuízo contábil continuará a crescer — e a conta, no fim, será paga por quem ficou na ponta da estrutura de capital.
