Internacional

WestJet chega ao Brasil: voo direto Guarulhos-Calgary e 30 rotas na mira

Aeronave WestJet Boeing 787 Dreamliner no aeroporto de Guarulhos com rota Brasil-Canadá
WestJet inicia voos diretos Guarulhos-Calgary e planeja 30 rotas entre Brasil e Canadá

A Anac acaba de dar sinal verde para a WestJet operar voos regulares de passageiros e carga entre Brasil e Canadá. A autorização saiu no Diário Oficial desta quarta (7), mas a companhia ainda não confirmou datas nem frequências. O que muda para quem viaja ou faz negócios entre os dois países?

A portaria 20.129/2026 abre as portas para a segunda maior aérea canadense pousar por aqui. Na prática, significa mais assentos, mais concorrência e — se a promessa se confirmar — a única ligação direta entre o oeste do Canadá e a América do Sul.

O que a autorização garante (e o que ainda falta)

O documento assinado pelo superintendente Adriano Pinto de Miranda baseia-se no acordo bilateral de transporte aéreo e no Código Brasileiro de Aeronáutica. A WestJet está habilitada, mas rotas, horários e início das vendas dependem de decisões internas da empresa.

Em janeiro, a companhia anunciou voo direto Guarulhos–Calgary. Seria o centésimo destino non-stop partindo de Calgary e a primeira ponte direta entre o oeste canadense e o cone sul. Hoje, quem faz esse trajeto precisa conectar em Toronto, Vancouver ou nos EUA.

Quatro players, um mercado em disputa

Com a entrada da WestJet, o corredor Brasil–Canadá passa a ter quatro operadoras:

  • Air Canada — líder histórica, voa para São Paulo e Rio
  • Air Transat — foco em lazer, sazonalidade forte
  • CargoJet — exclusivamente carga
  • WestJet — nova entrante, modelo híbrido low-cost/full-service

A Anac resume: “amplia as possibilidades de conectividade aérea internacional”. Traduzindo: mais opções pressionam tarifas e forçam melhorias de serviço.

A conexão Neeleman e a parceria com a Latam

David Neeleman, cofundador da WestJet, também criou a Azul. O DNA empreendedor explica a agressividade comercial. A empresa tem a Latam como parceira estratégica na América do Sul e projeta alimentar mais de 30 destinos no continente a partir de São Paulo.

Isso transforma Guarulhos em hub de distribuição: passageiros da WestJet descem em São Paulo e seguem para Montevidéu, Assunção, Santiago ou Buenos Aires com a Latam. O inverso também vale.

Greve resolvida, operação estabilizada

Em agosto, 4.400 comissários pararam por disputa sobre pagamento de trabalho em solo. Durou dias. O acordo coletivo de três anos foi ratificado com 90,2% de aprovação. A operação voltou ao normal — sinal de que a casa está arrumada para expandir.

Fundada em 1994 por Clive Beddoe, a WestJet tem 14 mil funcionários e sede em Calgary, Alberta. Concorre em casa com Air Canada, Porter e Flair. Chega ao Brasil com frota própria e sem dívidas de integração pós-fusão — diferencial competitivo relevante.

O que observar nos próximos 90 dias

Três sinais dirão se a entrada é simbólica ou transformadora: (1) abertura de vendas no sistema GDS, (2) definição de frequência semanal no Guarulhos–Calgary, (3) anúncio de códigos compartilhados além da Latam. Sem isso, a portaria vira apenas mais uma linha no Diário Oficial.

Para o executivo que negocia contratos anuais de passagens: inclua cláusula de revisão caso a WestJet entre na rota. Para o investidor: monitore o load factor nos primeiros seis meses — é o termômetro real da viabilidade. O jogo começou. A bola está com a WestJet.