A Latam Brasil confirma: a segunda leva de rotas operadas com os novos Embraer E195-E2 será anunciada ainda em novembro. O movimento sinaliza uma mudança estratégica que pode redesenhar a aviação regional no país — e o CEO Jerome Cadier já adiantou que a terceira fase, prevista para fevereiro de 2027, pode cruzar fronteiras.
O primeiro jato da encomenda de 24 unidades foi entregue nesta quinta-feira (8) em São José dos Campos. O negócio, avaliado em US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 10,5 bilhões), inclui ainda 50 opções de compra. Mas a aeronave sozinha não decola: a companhia montou uma operação do zero para colocá-la no ar.
O tamanho do desafio: 1.500 horas de simulador e tripulação nova
Incorporar um modelo inédito à frota não é trocar de avião — é reconstruir a operação. A Latam enviou pilotos a centros de treinamento em Montreal, Madri e Singapura. Foram 41 comandantes e 45 copilotos acumulando 1.500 horas em simuladores, além de aulas teóricas e voos de instrução em rota.
Durante três meses, a empresa formou seus próprios instrutores para garantir autonomia na capacitação contínua. O segundo jato já está pronto, pintado com as cores da Latam, e voa desde a semana passada com técnicos e engenheiros da Embraer a bordo.
42 rotas, 67 aeroportos e quatro estreantes no mapa
Os E195-E2 assumirão 42 rotas domésticas conectando 67 aeroportos. A novidade fica por conta de quatro destinos que passam a integrar a malha da companhia:
- Cabo Frio (RJ) — litoral norte fluminense
- Ji-Paraná (RO) — interior de Rondônia
- Macaé (RJ) — polo petrolífero
- Rondonópolis (MT) — agronegócio no Centro-Oeste
Até março de 2027, até 14 jatos devem estar em operação. A certificação junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é o último passo antes da primeira decolagem comercial com tripulação própria, marcada para o final de novembro.
Por que o E195-E2 muda o jogo para a aviação regional
O jato da Embraer carrega 136 passageiros em configuração de classe única, com alcance para cobrir todo o Brasil e parte da América do Sul. O consumo de combustível é até 25% menor que a geração anterior — número que impacta diretamente a viabilidade de rotas de baixa densidade.
“Incorporar uma nova aeronave à frota requer preparar toda uma operação, envolvendo centenas de profissionais, treinamentos, contratações e investimento”, resumiu Cadier durante o evento de entrega. A frase resume o tamanho do compromisso: não há atalho para colocar 24 aviões novos no ar com segurança e eficiência.
O que vem depois de fevereiro de 2027
A terceira leva de rotas, prometida para fevereiro de 2027, é onde a estratégia fica interessante. Cadier admitiu a possibilidade de rotas internacionais na América do Sul — o que colocaria o E195-E2 em voos curtos entre capitais vizinhas, hoje servidos por aeronaves maiores ou conexões demoradas.
Com 50 opções de compra no contrato, a Latam tem caminho aberto para escalar a frota se a demanda responder. O mercado regional brasileiro tem 67 aeroportos na nova malha, mas a América do Sul tem dezenas de pares de cidades subatendidos.
O que observar nos próximos meses
Três marcos vão ditar o ritmo dessa expansão: a certificação final da Anac (prevista para novembro), o anúncio da segunda leva de rotas (também em novembro) e a entrada em serviço do terceiro ao décimo quarto jato até março de 2027. Se a ocupação nos quatro novos destinos — Cabo Frio, Ji-Paraná, Macaé e Rondonópolis — superar as projeções, a antecipação de pedidos das 50 opções deixa de ser hipótese e vira plano de voo.
Para quem acompanha o setor, o termômetro está na malha regional: se o E195-E2 tornar rentável voar para cidades médias, a aviação brasileira pode viver seu maior rearranjo de rotas em duas décadas.
