Economia

13 de 20 finalistas são de Rondônia: o domínio que redefine o café robusta

Grãos de café robusta amazônico de Rondônia, destaque no Florada Premiada
Rondônia domina com 13 de 20 finalistas no Florada Premiada categoria Canéforas.

Rondônia colocou 13 das 20 finalistas na categoria Canéforas do Florada Premiada, confirmando o estado como a nova potência do café robusta amazônico. Essa concentração inédita — 65% das vagas — levanta a questão central: o que sustenta esse desempenho e qual o retorno real para quem produz e investe na região?

A lista das classificadas revela um padrão geográfico forte. Cacoal e Novo Horizonte d’Oeste concentram a maior parte das indicadas, mas a diversidade de municípios sinaliza que a qualidade não está restrita a um único terroir.

Quem são as finalistas e de onde vêm

  • Cacoal: Erly Mapibnãg Suruí, Goemanhamã Rifate Suruí, Josiele Rodrigues da Silva Werneck, Lucilene de Jesus Maia Santos, Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí, Priscila Palogon Suruí.
  • Novo Horizonte d’Oeste: Ediana Capich, Lucia Helena de Oliveira, Lucimar de Oliveira Gambarte Vieira.
  • Espigão d’Oeste: Kailane dos Anjos Goldner, Maria Sofia Aragão.
  • Nova Brasilândia d’Oeste: Ivonete Terezinha Nedel.
  • Alta Floresta d’Oeste: Nilzete Panó Tupari.

O anúncio foi feito pelo Centro Rituais de Cafés Especiais. A premiação ocorre durante a Semana Internacional do Café (SIC), de 11 a 13 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte.

Histórico recente: pódio cativo nos últimos ciclos

O resultado não é um ponto fora da curva. Na edição de 2025, Rondônia ficou com o primeiro e o segundo lugar. Angela Maria Coutinho Pessoa (Seringueiras) levou o topo, seguida por Fabiana Souza Leal Sanabria (Espigão do Oeste).

Em 2024, o domínio foi total: as três primeiras posições ficaram com produtoras do estado. Suely da Graça Rezende Santos Berdes (Cacoal) venceu, com Josiely Rodrigues Da Silva Werneck (Cacoal) e Angelica Alexandrino Nicola (Seringueiras) completando o pódio.

O que está em jogo: prêmios, preço mínimo e acesso a mercado

Além do reconhecimento técnico, a disputa move cifras relevantes. A campeã recebe R$ 25 mil em dinheiro e uma missão técnica internacional com acompanhante. A vice fatura R$ 15 mil e a terceira colocada, R$ 10 mil.

O diferencial financeiro mais estruturante, porém, está na compra garantida dos lotes. As três primeiras colocadas têm seus cafés adquiridos pelo dobro da cotação de referência do Cepea/USP. Esse mecanismo injeta liquidez imediata e estabelece um piso de valorização que repercute em toda a cadeia local.

Por que o robusta amazônico ganhou centralidade estratégica

A categoria Canéfora reúne os grupos robusta amazônicos e conilon. A ascensão de Rondônia coincide com a busca da indústria por perfis sensoriais diferenciados e rastreabilidade — atributos que o concurso expõe e valida.

Para o investidor e o gestor de trade, o sinal é claro: a origem “Robusta Amazônico” deixa de ser commodity genérica para entrar no radar de lotes especiais com prêmio de preço sustentado.

O que observar daqui para frente

A SIC em novembro funcionará como vitrine de liquidez. Acompanhe o volume de negócios fechados nos lotes premiados e a repercussão nos diferenciais de qualidade praticados pelas cooperativas e tradings na safra seguinte. O teste real não é a medalha, mas a capacidade de o mercado sustentar o dobro da cotação Cepea como novo patamar de referência para o robusta de Rondônia.