Ademir dos Santos assumiu pela terceira vez a presidência da Fecomércio-RR, estendendo seu comando à frente da federação, do Sesc, do Senac e do Instituto Fecomércio até 2030. A recondução ocorreu em Boa Vista na sexta-feira (2), consolidando um ciclo que começou em 2016. Mas a continuidade no comando esconde uma reestruturação silenciosa na diretoria que pode redesenhar as relações de mercado no estado.
O mandato para o quadriênio 2026-2030 não é apenas uma renovação burocrática. Seis suplentes foram renovados na composição dos 32 diretores, sinalizando uma oxigenação tática nas vice-presidências administrativas e financeiras. Para o empresariado local, a pergunta central é: como essa nova configuração impacta a geração de emprego e a liberdade de negociação nos próximos cinco anos?
A nova arquitetura de poder da Federação
A diretoria executiva empossada traz nomes que equilibram experiência e novas frentes de atuação. Jadir Correa da Costa e Francisco Jorge Neto ocupam as vice-presidências principais, enquanto a área administrativa ganha três vice-presidentes: Tereza de Jesus Mota de Macedo Silva, Anselmo Martinez Alonso e Veronildo da Silva Holanda.
No pilar financeiro, a responsabilidade cai sobre Hervi Biancardi Alves, José Carlos Aranha Rodrigues e José Maria Cruz Tupinambá. A estrutura conta ainda com quatro diretores setoriais — Antonio Ferreira de Araújo, Luiz Geraldo Távora Araújo, Maristela da Silva Machado e Jeanne Fernandes Meira da Silva — responsáveis pela capilaridade das ações.
- Conselho Fiscal Efetivo: Ailton Martins dos Santos, Hilda Maia Barbosa de Araújo, Evandro do Vale Bezerra.
- Conselho Fiscal Suplente: João Derli dos Santos Peres, Sandra Maria Thome Silva, Cícero Fernandes.
Por que a estabilidade no topo importa para o caixa das empresas
Desde a primeira posse, em 2016 — após o falecimento do então presidente Airton Dias —, Ademir dos Santos acumula vitórias em 2018, 2022 e agora 2026. Essa longevidade rara no associativismo empresarial garante previsibilidade regulatória e interlocução direta com poderes públicos. O discurso da posse reforçou a defesa da “livre iniciativa” e de um “ambiente de negócio cada vez mais livre”.
Na prática, isso se traduz em pressão por menor carga tributária estadual, simplificação de licenciamentos e programas de capacitação via Senac alinhados à demanda real do varejo e serviços. A promessa de “respeitar todos os segmentos” sugere atuação forte na mediação de conflitos entre grandes redes e comércios de bairro.
A aliança midiática que acelera vendas
Um detalhe estratégico passou despercebido por muitos: a presença de Joel Cristian Gomes, diretor executivo da Rede Amazônica em Roraima, na cerimônia. Ele explicitou o papel dos veículos de comunicação do grupo como alavanca comercial. “Temos o papel de impulsionar a economia”, afirmou, citando intervalos comerciais e ativos digitais como ferramentas à disposição dos associados.
Essa parceria institucionalizada reduz o custo de aquisição de clientes (CAC) para pequenos e médios negócios que, sozinhos, não acessariam mídia de massa. É um ativo intangível que a nova diretoria deve explorar em campanhas sazonais e no fomento ao turismo regional.
O que observar daqui para frente
O calendário até 2030 reserva desafios macroeconômicos — juros, inflação e reforma tributária — que testarão a capacidade de entrega da federação. O empresário atento deve monitorar três frentes: a execução do orçamento do Sesc/Senac em unidades de interior, a regulamentação da reforma tributária nos estados e a ampliação do Instituto Fecomércio como think tank de dados setoriais.
A renovação dos suplentes indica que a sucessão interna já está sendo desenhada nos bastidores. Quem ocupa as vice-presidências hoje provavelmente disputará o comando amanhã. Para o investidor, o sinal é claro: a governança está estável, mas a disputa pela influência setorial apenas começou.
