O fundador do maior fundo de capital de risco da América Latina vê a inteligência artificial como a maior alavanca de valor dos próximos dez anos — e não como ameaça. A convicção não vem de fé cega, mas de um padrão histórico que ele observa há duas décadas.
Enquanto o mercado debate regulação e substituição de empregos, ele aposta em outro vetor: a aceleração da produtividade em setores que até ontem eram intocáveis pela tecnologia.
Uma tese construída na prática, não no discurso
Kazah não chegou a essa conclusão lendo relatórios de consultoria. O fundo que comanda já destinou capital a mais de 120 startups, muitas delas focadas em automação de processos industriais, logística e saúde. A tese se formou vendo empresas reduzirem ciclos de desenvolvimento de 18 para 4 meses usando modelos generativos.
O dado que sustenta o otimismo: portfólios que adotaram IA no core business cresceram receita 3,2x mais rápido que a média do fundo nos últimos 24 meses.
O impacto direto para quem investe e empreende
Para o empresário que lê este texto, a implicação é imediata: a janela para ganhar eficiência com IA não está no futuro — está no próximo orçamento. Três movimentos já separam líderes de retardatários:
- Automação de decisões repetitivas em supply chain e precificação dinâmica
- Desenvolvimento de software assistido reduzindo time-to-market em até 60%
- Personalização em escala para bases de clientes que antes exigiam equipes inteiras
Mas o efeito mais relevante aparece em outro setor.
Onde o dinheiro inteligente está indo agora
O fundo dobrou a alocação em infraestrutura de dados no último ano. Não em modelos de linguagem, mas na camada que permite empresas usarem seus próprios dados com segurança e governança. A lógica: quem controla o dado proprietário captura o valor da IA; quem só consome API vira commodity.
Essa mudança de foco revela uma leitura de mercado que poucos comentam: a commoditização dos modelos base é inevitável. O diferencial competitivo migrou para a camada de aplicação verticalizada.
O que ninguém conta sobre o ciclo de hype
Kazah já viveu três ciclos de euforia tecnológica: internet, mobile, cloud. Em todos, o padrão se repete: 18 meses de promessas infladas, seguidos de 36 meses de construção silenciosa onde o valor real é criado. Quem entra no pico do hype paga caro; quem entra na fase de construção captura o upside.
O fundo dele está na fase de construção. As rodadas de série A e B em IA vertical caíram 40% em valuation médio desde o pico de 2023 — enquanto a qualidade técnica das fundadoras subiu.
O que observar daqui para frente
Três sinais vão ditar o ritmo dos próximos trimestres: regulação de dados sensíveis no Brasil (PL 2338/2023), adoção de IA em empresas não-tech com faturamento acima de R$ 500 milhões e a capacidade de talentos técnicos escalar além dos polos tradicionais. Quem mapear esses vetores hoje define a tese de amanhã.
