Economia

Huaxin leva CSN Cimentos por R$ 12,7 bi: alívio imediato para Steinbruch

Fábrica de cimento CSN com logotipo Huaxin, simbolizando aquisição de R$ 12,7 bilhões
Aquisição da CSN Cimentos pela Huaxin injeta R$ 12,7 bi no grupo de Steinbruch.

A chinesa Huaxin fechou a compra da CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões neste sábado (7), em uma das maiores operações de fusão e aquisição do país. Do valor total, cerca de R$ 3 bilhões correspondem a dívidas assumidas pelo comprador. A transação injeta fôlego financeiro direto no grupo de Benjamin Steinbruch, cuja dívida consolidada ronda os R$ 42 bilhões, mas o fechamento definitivo ainda exige o aval do Cade.

Por que a Huaxin venceu a disputa acirrada

A negociação foi competitiva até o fim. Como antecipado pelo mercado em outubro, a Huaxin bateu a proposta do consórcio formado pela Votorantim em parceria com a italiana Cementir. O diferencial decisivo não foi apenas o preço, mas a estrutura antitruste.

Como a empresa chinesa possui apenas pedreiras no Brasil — sem fábricas de cimento integradas —, a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica tende a ser mais célere. Se a Votorantim, líder de mercado, tivesse vencido, o processo enfrentaria escrutínio rigoroso e prováveis restrições.

  • Assessores: Morgan Stanley (CSN) e Itaú BBA (Huaxin).
  • Valor da empresa (Enterprise Value): R$ 12,7 bilhões.
  • Dívida assumida: ~R$ 3 bilhões.

O efeito cascata no balanço da CSN

A entrada de caixa reduz a urgência na venda de outros ativos. A divisão de infraestrutura, que vinha sendo preparada para o mercado, sai do modo “venda forçada”. Agora, o grupo avalia se vende parte ou a totalidade do negócio, mas sem a pressão de prazo que existia semanas atrás.

O movimento faz parte de um plano maior de desalavancagem. Recentemente, a siderúrgica vendeu uma unidade de aço na Alemanha por aproximadamente R$ 3 bilhões. Restam ativos em Portugal (dois) e na Espanha (um), cujas negociações prosseguem, embora os valores individuais não se comparem à magnitude do negócio alemão ou do cimento.

Cenários para os próximos meses

A aprovação do Cade é o próximo marco crítico. Fontes do setor estimam que, dada a baixa sobreposição de ativos, o sinal verde pode sair ainda no primeiro semestre de 2027. Até lá, a CSN ganha tempo para renegociar prazos e custos de sua dívida remanescente com credores.

Para o setor de cimento, a entrada de um player chinês com capital paciente e acesso a tecnologia asiática pode alterar a dinâmica de preços e investimentos em expansão de capacidade nos próximos anos.

O que o investidor deve monitorar agora

Três frentes merecem atenção nas próximas semanas: a tramitação no Cade sem imposição de remédios estruturais pesados; a definição do destino da divisão de infraestrutura (IPO, venda parcial ou total); e a execução do cronograma de vendas dos ativos europeus remanescentes. A combinação desses fatores ditará a velocidade da desalavancagem prometida ao mercado.