Justiça

Você não vai acreditar: obra no Flamengo racha faculdade e prédios residenciais…

Rachaduras em prédio da Uninassau causadas por obra no terreno do Colégio Bennett no Flamengo
Fissuras na estrutura da faculdade Uninassau após obras no antigo Colégio Bennett.

Uma obra no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, gerou rachaduras profundas em edifícios vizinhos, incluindo a faculdade Uninassau e imóveis residenciais. A Defesa Civil confirmou a ligação dos danos com a construção, mas descartou risco iminente de colapso. O episódio reacende a tensão em torno de um empreendimento que já havia sido paralisado pela Justiça no início do ano.

O impacto imediato na Uninassau

Alunos e professores relataram fissuras na biblioteca, banheiros e corredores da instituição de ensino. O aparecimento das trincas coincide com a intensificação dos trabalhos no canteiro vizinho, o que gerou apreensão entre frequentadores do local, especialmente durante as aulas noturnas.

A reitoria contratou engenheiros independentes para avaliar a estrutura. O laudo afastou a necessidade de evacuação ou suspensão das atividades, atestando que não há comprometimento estrutural grave no momento. Ainda assim, o incômodo com vibrações e ruídos excessivos permanece como queixa constante.

Danos em residências: de trincas a pedras caindo

O problema não se restringe ao campus. Moradores do entorno documentaram danos progressivos em suas unidades. Os relatos seguem um padrão preocupante:

  • Início em outubro: primeiras rachaduras e descolamento de revestimentos em áreas de serviço;
  • Agravamento recente: queda de fragmentos de concreto e alvenaria em áreas comuns;
  • Deslocamento estrutural: um sobrado vizinho apresentou afastamento visível da parede do edifício adjacente — uma abertura com largura aproximada de um dedo.

A engenheira Gabriella Zullo, moradora afetada, acompanha a evolução dos danos desde o primeiro semestre. O síndico Marcelo Silva acionou a Defesa Civil, que tem vistoria agendada para o dia 16 para mensurar a gravidade do deslocamento.

O que diz a incorporadora

A New View Incorporadora, responsável pelo projeto, classificou as fissuras como superficiais em nota oficial. A empresa afirma que não há dano estrutural nos imóveis vizinhos e que mantém monitoramento contínuo da área. A promessa é de reparo das avarias identificadas e manutenção do diálogo com os condôminos e a direção da faculdade.

Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento foi notificada para fiscalizar o andamento da obra e o cumprimento das normas de vizinhança.

Histórico de conflitos no terreno tombado

Esta não é a primeira vez que o canteiro vira campo de batalha. No início do ano, uma mobilização de moradores conseguiu na Justiça a suspensão temporária das atividades. O motivo: a supressão de cerca de 70 árvores centenárias em área tombada, onde funcionava a residência do Barão de São Clemente.

A decisão judicial atendeu a um questionamento sobre a legalidade da derrubada da vegetação. A obra foi retomada posteriormente, mas o desgaste político e ambiental deixou a comunidade em estado de alerta permanente — o que explica a repercussão imediata das rachaduras agora detectadas.

O que observar nas próximas semanas

A vistoria da Defesa Civil marcada para o dia 16 será o divisor de águas técnico. Se o laudo apontar evolução para risco estrutural, a interdição parcial ou total dos imóveis vizinhos passa a ser cenário real, com impacto direto no cronograma e no orçamento da incorporadora.

Para investidores e gestores de ativos na região, o caso acende um sinal vermelho sobre a diligência de vizinhança em terrenos sensíveis. Acompanhar a resposta da New View aos reparos prometidos e a atuação do município na fiscalização será essencial para dimensionar a extensão do passivo — financeiro e reputacional — deste empreendimento.