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Nubank volta a operar cripto: o que causou o apagão de 24h e por que o Mercado Pago também parou

Logos do Nubank e Mercado Pago com símbolos de criptomoedas e alerta de instabilidade
Nubank e Mercado Pago enfrentam falhas simultâneas em operações de cripto por problemas em fornecedores externos

O Nubank restabeleceu saques e depósitos de criptomoedas às 22h de sexta-feira (6), após cerca de 24 horas de paralisação. A falha não partiu da infraestrutura do banco, mas de um fornecedor externo de dados cujo nome não foi divulgado.

Enquanto o roxinho normalizava as operações, o Mercado Pago seguia sem previsão de retorno. Duas das maiores fintechs do país, fora do ar ao mesmo tempo, pelo mesmo tipo de razão: instabilidade em terceiros.

O que aconteceu nas últimas 24 horas

A suspensão no Nubank foi anunciada na quinta-feira (5). Na nota oficial, a empresa garantiu que ativos e dados dos clientes permaneceram protegidos durante todo o período. A Fireblocks, citada no suporte do banco como provedora de custódia, negou qualquer problema em sua plataforma.

Do lado do Mercado Pago, a narrativa foi parecida. Em comunicado na sexta, a instituição atribuiu o bloqueio a um incidente com um fornecedor de monitoramento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro. Transferências para carteiras externas foram “preventivamente bloqueadas” como medida de proteção.

Nem Nubank nem Mercado Pago revelaram a identidade do fornecedor comum — ou se de fato é o mesmo.

Por que isso afeta seu bolso diretamente

Se você tem cripto custodiada nessas plataformas, três pontos merecem atenção:

  • Liquidez zero: durante a janela de suspensão, não foi possível mover ativos para exchanges, carteiras frias ou realizar vendas.
  • Risco de preço: em mercados voláteis, 24 horas impedido de agir pode significar perdas — ou ganhos — não realizados.
  • Concentração de risco: ambas as fintechs dependem de poucos parceiros de infraestrutura crítica. A falha de um derruba o serviço para milhões.

O Mercado Pago não confirmou se os serviços já voltaram ao normal até o fechamento desta reportagem.

O elo invisível: fornecedores de compliance e monitoramento

O episódio expõe uma fragilidade estrutural do setor. Fintechs que não operam exchange própria — como Nubank e Mercado Pago — dependem de camadas de terceiros para:

  • Custódia (Fireblocks, no caso do Nubank)
  • Monitoramento de transações suspeitas (AML/KYC)
  • Roteamento de ordens e liquidez

Quando um elo dessa cadeia falha, o efeito cascata é imediato. E o cliente final não tem visibilidade sobre quem são esses fornecedores.

O que observar daqui para frente

Três sinais merecem acompanhamento nas próximas semanas: se Nubank e Mercado Pago divulgarão o nome do fornecedor envolvido; se haverá migração de usuários para exchanges com infraestrutura própria; e se o Banco Central ou CVM solicitarão relatórios de incidente — o que pode acelerar regras de resiliência operacional para criptoativos no Brasil.

Enquanto isso, a lição prática fica: diversificar custódia e manter parte dos ativos em carteiras onde você controla as chaves privadas segue sendo a única forma de não depender da estabilidade de terceiros.