Economia

Anthropic acelera IPO bilionário enquanto mercado de IA derrete: US$ 1,5 tri na mira

Logotipo da Anthropic com gráfico de ações em alta e símbolo de IPO bilionário
Anthropic mira IPO histórico de até US$ 1,75 trilhão antes do feriado de Ação de Graças

A Anthropic, criadora do modelo Claude, confirmou que segue rumo à bolsa antes do feriado de Ação de Graças, mesmo com o setor de tecnologia em queda livre. A startup mirou uma avaliação entre US$ 1,25 trilhão e US$ 1,75 trilhão — bem abaixo dos US$ 2 trilhões que investidores otimistas projetavam há apenas um mês.

A operação pretende levantar US$ 80 bilhões a US$ 100 bilhões. Se concretizada nos termos atuais, será a maior abertura de capital da história, superando a SpaceX, que estreou a US$ 1,78 trilhão em junho.

O choque de realidade que reprecificou a empresa

Na quinta-feira (5), o Nasdaq despencou 6,4% e o mercado americano evaporou US$ 3,2 trilhões em valor de mercado. O gatilho: a vitória democrata nas eleições de meio de mandato, com promessas de restringir a construção de data centers — infraestrutura vital para o avanço da IA.

Analistas do Vital Knowledge resumiram o ciclo vicioso: “Ações de IA são vendidas, o que dificulta o IPO da Anthropic e significa menos dinheiro para investimentos, o que leva a novas vendas”.

A OpenAI, rival direta, já sentiu o impacto: reduziu sua avaliação alvo de US$ 1,4 trilhão para US$ 1,25 trilhão e cortou o tamanho da captação privada de US$ 30 bilhões para US$ 20 bilhões.

Números que sustentam (ou não) o preço pedido

O prospecto da Anthropic revela um quadro misto:

  • Receita do Q3: ~US$ 17 bilhões (alta de ~50% ano a ano, mas com desaceleração)
  • Run rate anualizado: ~US$ 81 bilhões (subiu de US$ 65 bilhões em julho)
  • Caixa e investimentos líquidos: ~US$ 150 bilhões
  • Gasto planejado em compute/infra: US$ 900 bilhões nos próximos anos

Um grande investidor da casa resume: “Eles vão precificar conservador, digamos US$ 1,5 trilhão, e deixar o mercado subir dali”. Outros apostam em US$ 1,3 trilhão.

A aposta nos “compradores compulsórios”

A estratégia conta com fundos de índice e grandes gestoras que, por mandato, terão de comprar ações assim que a Anthropic entrar nos principais índices. Esse fluxo forçado amortece a volatilidade inicial — mas não garante sustentação de longo prazo.

Dario Amodei, CEO, tem dito a interlocutores que não tem obsessão em superar Elon Musk no ranking de maiores IPOs. O foco é captar o suficiente para nunca mais precisar diluir acionistas.

O que observar nas próximas semanas

O JPMorgan recebe investidores para a “sessão informativa” em 13 de novembro. Dois sinais dirão se o IPO decola ou derrapa: a demanda real nessa reunião e o comportamento do Nasdaq até o fim do mês. Se o setor estabilizar, a janela abre. Se a liquidação continuar, a Anthropic terá de escolher: aceitar desconto profundo ou adiar — e queimar caixa próprio enquanto espera.

Para quem acompanha o mercado, a equação é simples: a empresa tem tração real (US$ 81 bi de run rate), mas o apetite por risco secou. O preço final será o termômetro de quanto Wall Street ainda acredita na tese de IA generativa.