Justiça

Senadora Tereza Cristina vai a Bolsonaro: o xadrez oculto pela presidência do Senado

Senadora Tereza Cristina e ex-presidente Bolsonaro em reunião política sobre sucessão no Senado
Tereza Cristina visita Bolsonaro para articular presidência do Senado em 2027

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) confirmou que visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar, para tratar da sucessão no comando do Senado. O encontro, ainda sem data definida, depende de aval do ministro Alexandre de Moraes (STF) — e pode selar o destino da oposição na disputa de fevereiro de 2027.

O movimento expõe uma tensão silenciosa: dois aliados de Bolsonaro, Tereza e Rogério Marinho (PL-RN), lançaram candidaturas paralelas. Ambos juram que não se enfrentarão, mas nenhum abre mão. A visita pode ser o momento em que a “estratégia” citada pela senadora deixa de ser retórica.

O que está em jogo na eleição de 2027

A presidência do Senado será decidida em 1º de fevereiro de 2027, em votação secreta dos 81 senadores. São necessários 41 votos para vencer no primeiro turno. O atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), busca a reeleição com apoio direto do governo Lula — o que transforma a disputa em um teste de força entre base governista e oposição.

Se a oposição chegar rachada, a matemática favorece Alcolumbre. Daí a urgência de unificar os votos de direita. Tereza e Marinho dizem ter um plano. Até agora, porém, o plano não foi revelado.

Duas candidaturas, um mesmo eleitorado

  • Tereza Cristina (PP-MS): ex-ministra da Agricultura, articula com bancadas de centro-direita e tem trânsito no agronegócio.
  • Rogério Marinho (PL-RN): líder da oposição no Senado, candidato oficial do PL, foco na mobilização da base bolsonarista.

Ambos evitaram, em declarações recentes, cravar quem recuará. “Um de nós dois, lá na frente, temos que sentar com maturidade”, disse Tereza. Marinho já havia declarado: “Eu não enfrentarei a Tereza”. A frase soa como combinado — mas o “lá na frente” assusta quem conta com unidade desde já.

O fator Bolsonaro: árbitro ou cabo eleitoral?

O ex-presidente está impedido de deixar sua residência sem autorização judicial. A defesa protocolou pedido a Moraes para receber Tereza e Marinho juntos. Se concedido, Bolsonaro terá nas mãos a chance de ditar o ritmo — ou de lavar as mãos.

Questionada se abriria mão caso Bolsonaro pedisse apoio a Marinho, Tereza desconversou: “Eu não sei se o presidente me pediria isso”. A resposta não foi um “não”. Tampouco um “sim”. Foi uma porta aberta.

Por que a demora na definição?

Parlamentares ouvidos reservadamente apontam três razões:

  • Cada candidato testa próprio viabilidade junto a bancadas indecisas (MDB, PSD, Podemos).
  • O PP, partido de Tereza, tem ministérios no governo Lula — o que cria ruído interno.
  • Bolsonaro pode preferir não se expor antes de medir o cenário pós-eleições municipais de 2026.

Enquanto isso, Alcolumbre costura apoios no governo e em partidos de centro. Cada semana sem definição da oposição é ponto para o lado de lá.

O que observar nas próximas semanas

A autorização de Moraes para a visita é o primeiro termômetro. Se negada, a oposição perde o momento de alinhamento presencial com o maior cabo eleitoral da direita. Se concedida, o conteúdo da conversa — e eventuais sinais públicos depois — dirá se há acordo real ou apenas encenação.

Outro marco: as convenções partidárias de 2026. O posicionamento formal do PP e do PL sobre a eleição do Senado pode antecipar o desfecho. Até lá, a “maturidade” prometida por Tereza e Marinho segue no campo da promessa. O relógio corre. Em fevereiro de 2027, não haverá “lá na frente”. Haverá urna.