A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) concedeu a licença prévia para a Central Geradora Eólica Camoati, em Uruguaiana. O aval ambiental libera o caminho para um investimento de R$ 1,5 bilhão na Fronteira Oeste gaúcha. O projeto prevê 52 aerogeradores espalhados por 15,3 mil hectares.
Essa é a primeira grande sinalização verde para o setor eólico no estado após um longo hiato de novas construções. A expectativa agora gira em torno da velocidade da próxima etapa burocrática.
Do minério ao vento: a aposta de um veterano
Por trás do empreendimento está a JR Energias Renováveis, empresa de Santa Cruz do Sul liderada por João Rene Moreira. O empresário construiu trajetória sólida na mineração de ágata antes de migrar para a geração limpa.
A mudança de setor não foi por acaso. Moreira afirma que o parque “sai de qualquer jeito”, mas revela negociações avançadas para fechar parceria com uma grande investidora ainda neste ciclo. A Epcor participou da estruturação técnica do projeto.
O cronograma que interessa ao investidor
Com a licença prévia em mãos, o foco imediato é a Licença de Instalação (LI). O pedido será protocolado na Fepam nos próximos dias. A meta interna é obter o documento em até 18 meses.
Se o prazo for cumprido, o canteiro de obras entra em ação. A previsão de construção varia entre dois e três anos. Em resumo, a geração comercial deve começar entre 2027 e 2028, a depender da celeridade ambiental.
- Investimento total: R$ 1,5 bilhão
- Capacidade instalada: 52 aerogeradores
- Área do empreendimento: 15,3 mil hectares
- Localização: Uruguaiana (Fronteira Oeste)
- Licença de Instalação (meta): até 18 meses
- Obra: 2 a 3 anos
Por que Uruguaiana e por que agora
A escolha da Fronteira Oeste não é aleatória. A região possui regime de ventos consistente e topografia favorável para grandes parques. Além disso, a proximidade com a fronteira seca facilita a logística de equipamentos pesados vindos do exterior.
O movimento ocorre em meio a uma “nova leva” de licenças sendo emitidas pelo órgão ambiental estadual. Analistas de mercado veem sinais de retomada estrutural do setor no RS, que ficou anos sem inaugurações relevantes de parques eólicos.
O que observar daqui para frente
A emissão da Licença de Instalação será o termômetro real da agilidade do novo ciclo. Atrasos nessa fase são o principal risco para o cronograma financeiro do projeto.
Outro ponto de atenção é o fechamento do contrato de compra de energia (PPA) ou a entrada do sócio investidor anunciado por Moreira. A definição do offtaker garante a bancabilidade e atrai o capital para a fase de construção. Para o mercado gaúcho, o sucesso do Camoati pode funcionar como case teste para destravar outros projetos engavetados na fila da Fepam.
