O governador eleito do Tocantins, Vicentinho Júnior (PSDB), classificou a administração estadual como “mau pagador” após constatar a suspensão de atendimentos em hospitais e clínicas conveniadas. A dívida acumulada chega a R$ 274 milhões — cinco meses de serviços prestados à rede pública e ao plano dos servidores. A medida afeta diretamente pacientes do SUS e do Servir a partir desta quinta-feira (5).
Durante visita ao Hospital Geral de Palmas (HGP), maior unidade pública do estado, o futuro chefe do Executivo dispensou roteiros oficiais e ouviu médicos, enfermeiros e maqueiros. A promessa: tornar a saúde o principal legado do mandato que se inicia em janeiro.
O que motivou a paralisação dos serviços privados
Cerca de 60 empresas contratadas pelo Estado anunciaram a suspensão de procedimentos eletivos e ambulatoriais na quarta-feira (4). O sindicato da categoria alega que a falta de repasses comprometeu a compra de insumos, a manutenção de equipamentos e o pagamento de equipes.
Os débitos envolvem duas frentes simultâneas:
- SUS: cirurgias, exames de alta complexidade e internações de leitos conveniados.
- Servir: atendimentos aos servidores públicos estaduais e dependentes.
Diagnóstico do governador eleito: gestão empurra dívidas com reuniões
Vicentinho Júnior foi direto ao descrever o padrão de gestão atual: “celebra convênios com a rede privada e vai empurrando, empurrando, anunciando e fazendo reunião para marcar outras reuniões”. Segundo ele, o momento de insustentabilidade chegou.
A transição de governo, que já começou, terá como prioridade auditar os números reais com apoio de órgãos de fiscalização. Três gargalos foram citados nominalmente:
- Dívida do Servir (plano dos servidores).
- Passivos do SUS estadual.
- Déficit do Igeprev (instituto de previdência dos servidores).
Resposta do governo atual e impacto imediato
A gestão em exercício afirmou, em nota, que trabalha para regularizar os pagamentos e mantém diálogo com as entidades para garantir a continuidade dos serviços. Não houve, porém, cronograma nem valor definido para quitação.
Enquanto o impasse persiste, pacientes relatam cancelamento de cirurgias agendadas e dificuldade para conseguir exames de rotina. Unidades de pronto-atendimento da capital registram aumento na procura por casos que antes seriam encaminhados à rede conveniada.
O que observar nas próximas semanas
A equipe de transição deve apresentar, ainda em dezembro, um relatório consolidado da dívida real da saúde. Paralelamente, o futuro secretário da pasta — ainda não anunciado — terá de negociar acordos de pagamento escalonado para evitar colapso total da rede assistencial no primeiro trimestre de 2025.
Para empresários do setor e gestores de planos de saúde, o sinal de alerta está no fluxo de caixa: novos contratos ou aditivos só devem ser firmados após garantias de pagamento, seja por meio de fundo rotativo, seja por vinculação de receitas constitucionais.
O cenário exige monitoramento diário das portarias de liberação de recursos federais (tesouro estadual e emendas parlamentares) e das decisões judiciais que possam determinar bloqueio de verbas para quitação de dívidas assistenciais.
