Em apenas cinco meses de operação, a Âmbar Energia substituiu 900 transformadores e 600 postes em todo o Amazonas. A ofensiva de manutenção é apenas a ponta visível de um plano que prevê investimentos bilionários e a reativação de um programa federal parado desde 2024.
O volume de equipamentos trocados impressiona, mas a expansão da malha elétrica promete mudar a realidade de quem vive longe da capital. Entenda o que está em jogo nos próximos anos.
Mutirão técnico: o que foi feito entre abril e agosto
A distribuidora assumiu a concessão em abril encontrando uma rede degradada. A resposta imediata foi um choque de infraestrutura: além dos transformadores e postes, equipes podaram 50 mil árvores e limparam 2,6 mil quilômetros de faixas de servidão.
Foram instalados ainda milhares de cruzetas e religadores — dispositivos que isolam falhas e evitam que um curto-circuito derrube a energia de bairros inteiros. Na prática, isso reduz o tempo de espera no escuro quando ocorre uma queda de galho ou raio.
Emprego em alta: 30% mais equipes em campo e 400 vagas abertas
O ritmo acelerado exigiu mão de obra. O número de trabalhadores das empresas prestadoras saltou 30% no período. A companhia mantém atualmente mais de 400 posições abertas em diversas localidades.
Quem tem perfil técnico ou operacional pode enviar currículo identificando a vaga e a cidade de interesse:
- E-mail: trabalheconosco.am@nortetech.net
- Presencial: qualquer loja de atendimento Âmbar Energia (segunda a sexta, 8h às 16h)
Metas para 2031: quase 60% mais subestações
O plano de longo prazo desenha um salto estrutural. A meta é elevar de 34 para 54 o número de subestações — alta de 59%. As linhas de distribuição de alta tensão devem crescer 45%, saindo de 67 para 97 circuitos.
Segundo o presidente João Pilla, a rede herdada demandava investimentos urgentes e o trabalho, embora “pesado e pouco visível”, é essencial para dar segurança ao sistema. A estratégia evita promessas de curto prazo, focando na redução progressiva do risco de falhas.
Capital e interior: frentes de batalha diferentes
Em Manaus, o foco recaiu sobre a espinha dorsal do sistema: linhas de 69 kV e 138 kV. Torres foram inspecionadas, disjuntores e transformadores de potência receberam manutenção, e as bases de plantão foram ampliadas para agilizar o atendimento de emergência.
No interior, o desafio é logístico. Muitos municípios dependem de cabos que cruzam rios. A distribuidora fez manutenção em travessias subaquáticas, lançou novos cabos e instalou bancos de capacitores e religadores — equipamentos que estabilizam a tensão e cortam interrupções momentâneas.
Luz para Todos: programa federal reinicia com R$ 785,9 milhões
A informação mais relevante para quem vive em áreas remotas é a retomada do Luz para Todos. O programa estava paralisado no estado desde 2024. A primeira etapa, com duração de um ano, prevê ligar 18.775 unidades consumidoras, beneficiando cerca de 94 mil pessoas em comunidades rurais e ribeirinhas.
Os aportes somam R$ 785,9 milhões previstos para 2026 e 2027. Essa injeção de recursos federais, gerida pela nova concessionária, deve resolver o passivo de universalização que travava o desenvolvimento local.
O que observar daqui para frente
A execução do cronograma de subestações até 2031 será o termômetro real da transformação. Acompanhe a publicação de editais de obras, a evolução dos indicadores de continuidade (DEC e FEC) divulgados pela Aneel e a ocupação das vagas técnicas — elas sinalizam se a capacidade de entrega acompanha o tamanho do plano no papel.
