Economia

O segredo que manteve uma cerâmica 40 anos no mercado: educação financeira

Fábrica de cerâmica moderna com automação, painéis solares e reflorestamento de eucalipto em Campos dos Goytacazes
Cerâmica Pessanha: 40 anos de inovação sustentável e gestão financeira estratégica no Norte Fluminense

Uma cerâmica familiar de 40 anos no Norte Fluminense só sobreviveu às crises porque tratou finanças como estratégia, não burocracia. O diretor Paulo Pessanha revela o que mudou quando a gestão de recursos virou prioridade — e por que a maioria dos empresários ignora esse passo.

O ponto de virada que ninguém espera

Em 1985, o negócio era artesanal. Hoje, a fábrica em Campos dos Goytacazes opera com automação, reflorestamento próprio de eucalipto, energia solar e reaproveitamento de resíduos de granito. A transição não veio de sorte: veio de crédito bem estruturado e planejamento de curto, médio e longo prazo.

Pessanha, que também atua no conselho fiscal da associação nacional do setor, resume: “Quando a empresa tem vida financeira saudável, consegue pensar melhor e aproveitar oportunidades. Capital dá previsibilidade.”

Três pilares que sustentaram a longevidade

  • Capital de giro disciplinado: evitou paradas de produção em ciclos de sazonalidade.
  • Investimentos em eficiência energética: autossuficiência em biomassa e solar reduziu custos fixos.
  • Inovação de produto: resíduos de granito aumentaram durabilidade das telhas e estenderam vida útil das jazidas.

Mas o diferencial, segundo o empresário, foi a troca constante com o gerente da instituição financeira cooperativa. “Cheguei para ajustar arestas e encontrei um caminho muito mais definido para a destinação de recursos.”

Por que a cultura financeira ainda é rara

Pessanha aponta um entrave cultural: “Educação financeira depende de mudança de cultura. Gaste menos do que ganha — isso é o básico em tudo na vida.” Dados do setor mostram que poucas empresas atingem quatro décadas de operação contínua. A volatilidade cambial, choques de commodities e instabilidade macroeconômica exigem o que ele chama de “dever de casa”: estratégias sensatas, inclusive nas linhas de crédito.

A instituição parceira, presente em todos os estados com mais de 10,6 milhões de cooperados, estrutura essa capacitação em três frentes práticas:

Ferramentas que viram hábito, não curso

  • Índice de Saúde Financeira no app: diagnóstico automático da situação do cooperado.
  • Clínicas Financeiras: orientação individualizada para decisões de investimento e endividamento.
  • Programa Se Liga Finanças: trilhas online gratuitas sobre orçamento, planejamento e alocação.

No Espírito Santo e regiões de atuação do sistema regional, 217 pontos de atendimento levam essas ações a cooperados e não cooperados. A lógica: conhecimento acessível reduz assimetria na hora de negociar taxas, prazos e garantias.

O que observar daqui para frente

O cenário macro segue instável: juros reais elevados, câmbio volátil e cadeias globais ainda se rearranjam. Empresas que internalizarem métricas de saúde financeira — liquidez, alavancagem, ciclo de conversão de caixa — terão margem para negociar melhor e capturar oportunidades de expansão sustentável. O caso da cerâmica prova: a diferença entre fechar as portas e construir ativos que se pagam sozinhos está na disciplina que antecede o crédito.