A Heineken Brasil assinou nesta quarta-feira (4) a aquisição da Better Drinks, dona das marcas Praya, Mamba Water e Baer Mate. O valor da transação segue em sigilo, mas o movimento já redesenha a prateleira de bebidas “better-for-you” no país.
A conclusão depende apenas do aval do Cade. Enquanto isso, a gigante holandesa assume o controle de um portfólio que, em menos de dois anos, saltou de 10 mil para mais de 60 mil pontos de venda.
Por que a Heineken pagou por uma empresa de 3 anos?
A Better Drinks nasceu em 2022 da fusão de quatro marcas — Baer Mate, Praya, Vivant e F!VE Drinks. Desde o início, o posicionamento foi claro: bebidas com apelo de saúde, sustentabilidade e ingredientes naturais.
A Praya, carro-chefe do grupo, carrega o título de primeira cerveja neutra em carbono do Brasil. A Mamba Water aposta em água de coco com sabores e zero açúcar. O Baer Mate traz o chimarrão pronto para beber.
Para a Heineken, a compra resolve duas dores de uma vez: entra forte no segmento “better-for-you” sem precisar criar do zero e herda uma máquina de distribuição já testada.
O efeito multiplicador da distribuição
Os números contam a história da parceria iniciada em 2024:
- 10 mil pontos de venda em 2024 (antes da parceria)
- 60 mil+ pontos de venda em 2025 (após parceria)
- 6x de expansão em menos de 12 meses
A capilaridade da Heineken — 15 fábricas, 13 mil funcionários e uma logística que cobre o país inteiro — transformou marcas regionais em opções de gôndola nacional. O que era nicho virou prateleira de supermercado.
O que está em jogo para o mercado
A Ambev observa de perto. O Grupo Petrópolis também. O segmento de bebidas funcionais, orgânicas e baixas em calorias cresce a dois dígitos ao ano no Brasil, puxado por consumidores de 25 a 40 anos que trocam o chope tradicional por opções “sem culpa”.
Com a aquisição, a Heineken passa a ter resposta direta para a linha de hard seltzers e águas saborizadas da concorrência. Não por acaso, a multinacional revisou suas metas de sustentabilidade em setembro: promete cortar 10,3% do uso de água na fabricação até 2030.
Mas o efeito mais relevante aparece na cadeia de fornecedores. Pequenos produtores de mate, coco e insumos orgânicos ganham um comprador de escala global.
O que observar daqui para frente
Três movimentos definem os próximos trimestres: a velocidade de integração das marcas ao portfólio Heineken, a manutenção (ou não) da identidade ESG da Better Drinks sob nova gestão e a reação da Ambev — que costuma responder aquisições rivais com lançamentos agressivos em 90 dias.
Para quem investe ou empreende no setor, o sinal é claro: a fronteira entre “cerveja” e “bebida saudável” deixou de existir. Quem não tiver as duas na mesa, perde o brinde.
