Economia

Bayer revela 17 biológicos até 2030: o plano para dominar o agro tropical

Pesquisadores da Bayer analisam culturas biológicas em campo tropical no Brasil
Bayer investe em 17 biológicos para dominar o agro tropical latino-americano até 2030

Bayer vai colocar no mercado 17 novos produtos biológicos na América Latina até 2030, mirando um setor que cresce quase o dobro da média mundial. O Brasil, sozinho, responde por uma fatia de R$ 6,2 bilhões e deve receber quase metade das novidades. A estratégia, porém, vai além de volume: envolve uma nova marca global e uma aposta inédita em parcerias locais.

O motor do crescimento: América Latina acelera 14% ao ano

Enquanto o mercado global de bioinsumos avança 8% ao ano, a região latino-americana registra expansão de 14%. No Brasil, o faturamento do segmento saltou 15% no período mais recente, atingindo R$ 6,2 bilhões, segundo a CropLife Brasil.

Esse ritmo desenfreado explica o movimento da alemã. A companhia já possui mais de 40 soluções biológicas no portfólio regional, mas quer saltar de “protagonista” para referência absoluta. “A chegada de novos produtos é a grande alavanca”, resume Luis Offa, vice-presidente sênior de Proteção de Cultivos e Biológicos para a América Latina.

Brasil no centro da mira: 8 lançamentos e identidade própria

Dos 17 produtos programados, oito terão o Brasil como destino prioritário. Hoje, a Bayer conta com apenas três biológicos registrados no país — um gap que a nova marca “Biológicos Bayer” pretende preencher criando uma identidade visual e comercial unificada.

O foco não é aleatório. O Brasil lidera a produção global de soja e cana-de-açúcar e figura no top 3 de milho e algodão. Cerca de 50% da área agrícola nacional já utiliza biológicos, mas o teto é alto: a agricultura tropical exige manejo constante de pragas e doenças, abrindo espaço para bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas.

Complemento, não substituto: a lógica do manejo tropical

Antônio Soares, head de Biológicos da Bayer para a região, faz questão de demarcar o território: esses produtos não ocupam o lugar dos defensivos químicos. Eles potencializam resultados quando usados em conjunto.

A agricultura brasileira tem uma assinatura única: estresse hídrico, altas temperaturas e pressão de pragas o ano todo. Nesse cenário, os biológicos atuam em duas frentes complementares:

  • Controle biológico:</bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas para manejo de pragas e doenças;
  • Performance de cultivo: ativam a fisiologia da planta e melhoram a saúde do solo, aumentando a resiliência a secas e calor extremo.

Primeiro ato: Curvet e a parceria com a IdeeLab

O primeiro lançamento sob a nova bandeira chega na safra de soja 2026/27. Batizado de Curvet, o produto otimiza o aproveitamento de nitrogênio e fósforo já presentes no sistema. Em testes, entregou incremento médio de três sacas por hectare.

Mas o movimento mais estratégico pode ser a parceria firmada com a brasileira IdeeLab. Juntas, desenvolvem um biofungicida para doenças foliares na soja. É o primeiro acordo da Bayer fora do Hemisfério Norte — sinal claro de que a empresa quer soluções nascidas no trópico, para o trópico.

Olho no horizonte: frutas, hortaliças e o resto da região

O plano não para nas commodities de grão. Chile, Peru e México entram no radar com foco em produtores de frutas e hortaliças voltados à exportação. Esses mercados exigem resíduos químicos mínimos, o que torna os biológicos não apenas opção agronômica, mas requisito comercial.

O que observar daqui para frente

A execução do cronograma de 17 lançamentos em seis anos será o termômetro real da capacidade da Bayer de converter ciência em prateleira. Dois pontos merecem atenção: a velocidade de registro regulatório no Brasil — historicamente um gargalo — e a adoção pelo produtor médio, que ainda vê nos biológicos uma camada extra de complexidade operacional. Se a curva de aprendizado for vencida, o mercado de R$ 6,2 bilhões pode parecer pequeno no retrovisor.