Economia

Ibovespa cai 1%: Focus revela projeção assustadora para o dólar em 2026

Gráfico mostra queda do Ibovespa e alta do dólar com projeções Focus 2026
Ibovespa cai 1,46% e dólar sobe a R$ 5,48 com projeções pessimistas do Focus para 2026.

O Ibovespa abriu novembro em queda de 1,46%, aos 165.465 pontos, marcando o sexto pregão consecutivo de perdas. O gatilho veio do Boletim Focus, que trouxe revisões pessimistas para inflação, câmbio e crescimento — mas o impacto real no seu bolso vai além dos números de hoje.

Enquanto o índice derretia, o dólar à vista subia 0,73% para R$ 5,4836, na contramão do enfraquecimento global da moeda americana. Essa dissonância sinaliza que o risco Brasil está precificado de forma isolada.

O que o Focus escancarou para 2026

A mediana das projeções do Banco Central piorou em quase todas as frentes após a reeleição de Lula. Os economistas não apenas elevaram a inflação esperada — também redesenharam o câmbio e o PIB para o próximo ano.

  • IPCA 2026: subiu de 5,19% para 5,22%
  • Dólar fim de 2026: saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34
  • PIB 2026: caiu de 1,80% para 1,76% (terceira revisão seguida para baixo)

Esses números não são apenas estatísticas. Eles ditam a curva de juros futura, o custo de financiamento das empresas e, por consequência, a atratividade da bolsa frente à renda fixa.

Proposta de Lara Resende reacende medo fiscal

A informação de um encontro entre o economista André Lara Resende — um dos pais do Plano Real — e o presidente Lula colocou o mercado em estado de alerta. A proposta defendida por ele prevê redução gradual da Selic, coordenação mais estreita entre Tesouro e Banco Central e uso de reservas internacionais para defender o real.

O presidente do PT, Edinho Silva, classificou as especulações como infundadas e reforçou que apenas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, fala pela área econômica. Ainda assim, a simples menção a um “novo regime fiscal” basta para manter o prêmio de risco elevado.

EUA nas urnas e petróleo em alta

Hoje, americanos renovam 435 cadeiras da Câmara, 35 do Senado e elegem 36 governadores. A impopularidade de Donald Trump ameaça a maioria republicana no Congresso — um cenário que pode alterar a agenda comercial e fiscal dos EUA, com reflexos diretos no fluxo para emergentes.

No front geopolítico, novos ataques dos EUA ao Irã empurraram o Brent para US$ 104,89 e o WTI para US$ 97,24. Teerã rejeita “exigências excessivas” e condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz ao atendimento de suas demandas. Qualquer escalada adicional pressiona a inflação global e o câmbio brasileiro.

Sucessão no BCE antecipada

Christine Lagarde deixará a presidência do Banco Central Europeu em fevereiro — oito meses antes do fim do mandato. Países da zona do euro têm até sexta-feira (6) para indicar nomes; o Eurogrupo analisa as candidaturas na segunda (9). A escolha do substituto definirá o ritmo de cortes de juros na Europa, influenciando o diferencial de rendimento frente ao Brasil.

O que observar nos próximos dias

A reunião do Copom iniciada hoje será decisiva. Se o comunicado sinalizar manutenção da Selic por mais tempo que o esperado, a pressão sobre o câmbio e a bolsa tende a persistir. Paralelamente, acompanhe a tramitação do Orçamento 2027 no Congresso: qualquer sinal de flexibilização da meta fiscal amplifica o prêmio de risco já embutido nos ativos. O dólar acima de R$ 5,40 não é apenas um número — é o termômetro da confiança.