Economia

Dólar salta para R$ 5,51 e Bolsa tem semana histórica: o que está por trás do caos

Gráfico financeiro mostra dólar a R$ 5,51 e Ibovespa em queda histórica durante semana de volatilidade extrema
Dólar atinge R$ 5,51 e Bolsa registra quinta pior semana do Plano Real em meio a incertezas globais e decisão de juros no Brasil

O dólar abriu esta terça-feira (3) disparado a R$ 5,5126 — alta de 1,21% nos primeiros minutos — enquanto o Ibovespa carrega a quinta pior semana da história do Plano Real. A combinação de eleições nos EUA, dados de emprego americanos e a decisão de juros no Brasil amanhã cria um cenário de volatilidade rara.

Na semana passada, a moeda americana acumulou valorização de 9,04%. O índice brasileiro, por sua vez, derreteu 18,12% em cinco pregões, empate técnico com a queda registrada nos atentados de 11 de setembro de 2001. Só crises asiáticas (1997), a crise global (2008) e o início da pandemia (2020) superaram esse tombo.

O gatilho externo: meio de mandato nos EUA

Hoje, americanos vão às urnas renovar toda a Câmara dos Representantes (435 cadeiras) e 35 assentos no Senado. O resultado define se o presidente Donald Trump mantém maioria nas duas Casas ou enfrentará um Congresso dividido — o que travaria pautas de gastos, impostos e regulação.

Com margem apertada nas duas Casas desde 2024, o governo republicano já sente as divisões internas em temas sensíveis. Trump investiu pesado na campanha para ampliar a base, mas pesquisas indicam disputa acirrada em distritos-chave.

Emprego nos EUA dita o ritmo do Fed

Paralelamente, saem hoje novos números do mercado de trabalho americano. O dado serve de bússola para o Federal Reserve calibrar os juros: economia aquecida posterga cortes; sinais de fraqueza aceleram o afrouxamento.

Qualquer surpresa mexe com o dólar global e, por tabela, com a cotação por aqui. Investidores monitoram taxa de desemprego, criação de vagas e ganho salarial médio.

Copom amanhã: Selic deve ficar em 13,75%

No front doméstico, todas as atenções se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) quarta-feira (4). A expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica em 13,75% ao ano.

Pressão fiscal e calendário eleitoral limitam espaço para cortes. O comunicado pós-reunião será dissecado em busca de pistas sobre o ciclo de afrouxamento — se começa em 2027 ou fica para depois.

Recuo histórico do Ibovespa em números

  • Queda semanal: 18,12% (5ª maior desde 1994)
  • Empate técnico: semana do 11/9/2001 (-18,12%)
  • Piores episódios: crise asiática 1997 (-22,17%), crise 2008 (-20,01%), pandemia 2020 (-18,88%)
  • Catalisador desta vez: evento político doméstico (reeleição presidencial)

Diferente das crises anteriores — todas de origem externa —, o tombo recente reflete reavaliação de prêmios de risco após resultado eleitoral que frustrou parcela do mercado financeiro.

Ásia fecha mista, Japão parado

Enquanto o Ocidente dormia, bolsas asiáticas reagiram a estímulos chineses considerados insuficientes. Xangai (SSEC) caiu 0,82%; CSI300 recuou 0,20%. Seul despencou 3,59% (Kospi). Hong Kong foi exceção com alta de 0,57% no Hang Seng. Tóquio fechado por feriado.

O que observar nos próximos dias

Três variáveis vão ditar o ritmo: desfecho das urnas americanas (resultado pode demorar dias em Estados-pêndulo), leitura do payroll nos EUA e tom do comunicado do Copom. Se o Fed sinalizar juros altos por mais tempo e o BC brasileiro mantiver postura dura, o dólar tende a testar resistências acima de R$ 5,55. Já um Congresso dividido nos EUA ou dados de emprego fracos podem aliviar a pressão cambial — mas o fiscal brasileiro segue como risco latente.