A Grécia fechou a aquisição de até seis aviões KC-390 Millennium da Embraer, tornando-se o oitavo membro da Otan a operar o cargueiro brasileiro. O primeiro pousa em solo grego já no ano que vem.
O acordo tem um detalhe que muda tudo: três unidades virão via Portugal, que as compra da fabricante e repassa a Atenas — furando a fila de produção. O arranjo rende a Lisboa cerca de R$ 180 milhões numa operação de R$ 3,6 bilhões.
Por que a Grécia não esperou a fila normal
Atenas opera hoje 15 unidades do C-130 Hércules, quadrimotor turboélice dos anos 1950 que carrega até 19 toneladas. O KC-390 leva 26 toneladas com dois motores a jato e traz a capacidade de reabastecimento aéreo que os gregos não têm.
A frota helênica ainda inclui 13 cargueiros italianos C-27J, limitados a 11,5 toneladas. Substituir os Hércules por uma plataforma moderna e versátil tornou-se urgente diante do cenário no Mediterrâneo oriental.
O mapa europeu do KC-390
A Embraer já vendeu o modelo para nove países do continente. Veja o balanço atual:
- Portugal: 6 encomendados (4 entregues)
- Holanda: 5 unidades
- Suécia: 4 unidades
- Áustria: 4 unidades (não é Otan, mas opera coordenada)
- Hungria: 2 unidades
- República Tcheca: 2 unidades
- Lituânia: 3 unidades
- Eslováquia: 3 unidades
- Grécia: 3 firmes + 3 opções
Fora da Europa, Coreia do Sul, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos e Colômbia também fecharam contratos. Os Bálticos ainda não assinaram.
De projeto da FAB a sucesso de exportação
O KC-390 nasceu de um pedido da Força Aérea Brasileira em 2008. O primeiro cargueiro foi entregue 11 anos depois. A encomenda original de 28 caiu para 19 — oito já voam na FAB.
O tropeço doméstico não impediu que a linha de Gavião Peixoto (SP) virasse referência global. O avião é elogiado por desempenho, custo operacional e flexibilidade de missões.
O empurrão geopolítico que ninguém ignora
A invasão da Ucrânia em 2022 e a pressão americana por mais autonomia europeia dispararam os orçamentos de defesa. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, a Europa programou gastar 90% a mais em 2024 do que em 2021, em termos nominais.
A Grécia aprovou um plano de R$ 135 bilhões em 12 anos. Os KC-390 são a primeira aquisição concreta. A rivalidade histórica com a Turquia, também membro da Otan, acelera decisões.
O que observar daqui para frente
A Embraer mira os dois maiores mercados militares do mundo: Estados Unidos e Índia. Nos EUA, o obstáculo é a continuação da linha Hércules modernizada. Na Índia, as negociações estão avançadas e a expectativa gira em torno de dezenas de aeronaves.
Se a Índia fechar, a carteira de exportação do KC-390 salta para outro patamar. Enquanto isso, a entrega grega em 2025 será o termômetro da capacidade da Embraer de honrar prazos acelerados — e o sinal verde para quem ainda hesita na fila.
