O Governo da Bahia homologou a licitação para aquisição de 10 novas composições do metrô de Salvador e Lauro de Freitas. O investimento supera R$ 632 milhões e promete encurtar o tempo de espera nas plataformas. Mas a data em que você verá esses vagões circulando ainda é uma incógnita.
A publicação no Diário Oficial desta quinta-feira (30) autoriza a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB) a fechar o contrato. Cada trem terá quatro carros, somando 40 novos vagões para as linhas 1 e 2. A medida chega num momento em que a demanda por trilhos na Região Metropolitana pressiona o sistema atual.
Por que a homologação não significa trem novo amanhã
Homologar a licitação é apenas a validação jurídica do processo. O próximo passo é a assinatura do contrato, seguida pela fabricação, testes e comissionamento. Em projetos metroviários, esse ciclo costuma levar de 18 a 30 meses após a ordem de início.
Não há cronograma oficial de entrega divulgado até o momento. A CTB e a concessionária CCR Metrô Bahia ainda precisam alinhar o cronograma de fabricação com a logística de integração à via permanente e aos sistemas de sinalização existentes.
O impacto direto na operação e no passageiro
A frota atual opera no limite nos horários de pico. A chegada de 10 composições adicionais permite três ganhos imediatos quando entraram em serviço:
- Redução do headway: intervalos entre trens podem cair dos atuais 4-5 minutos para algo próximo de 3 minutos nas horas de maior movimento.
- Aumento da capacidade: cada composição de 4 carros transporta cerca de 1.200 passageiros; são 12 mil lugares extras por viagem completa na rede.
- Reserva operacional: margem para manutenção preventiva sem retirar trens da circulação comercial.
Para o usuário frequente, isso se traduz em plataformas menos lotadas e menor risco de ficar para o próximo trem. Para o investidor ou empresário da região, sinaliza aposta estatal na mobilidade como vetor de valorização imobiliária e produtividade.
De onde sai o dinheiro e qual o risco orçamentário
Os R$ 632,7 milhões são recursos do Tesouro Estadual, não da concessionária. O contrato de concessão prevê que a expansão de frota para atender demanda nova é responsabilidade do poder concedente. Isso protege a tarifa técnica de reajustes extraordinários decorrentes dessa aquisição específica.
O risco está no cronograma de desembolso. Atrasos na fabricação ou na liberação de recursos podem empurrar pagamentos para exercícios futuros, competindo com outras prioridades de infraestrutura do estado.
O que observar daqui para frente
Fique atento a três marcos nos próximos 90 dias: a publicação do extrato de contrato no DOE, a emissão da ordem de fabricação pelo fabricante (ainda não revelado publicamente) e o cronograma de entrega parcial — costuma-se receber as primeiras unidades antes do lote completo. Quem antecipa esses passos consegue precificar melhor o impacto logístico e comercial nos corredores atendidos pelas linhas 1 e 2.
