Economia

4BIO dobra aposta em hospitais e abre 5 CDs: o plano para liderar o mercado de R$ 60 bi

Logotipo 4BIO sobre fundo hospitalar com centros de distribuição, simbolizando expansão no mercado de alto custo
4BIO expande para hospitais com 5 novos CDs visando liderar mercado de R$ 60 bi

A 4BIO, divisão de medicamentos de alto custo do Grupo Profarma, está virando a chave do negócio: sai do varejo focado no paciente final e entra de vez na disputa por hospitais, clínicas e operadoras de saúde. A meta declarada é dobrar a fatia de mercado em um segmento que movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano fora das farmácias tradicionais.

A mudança não é apenas de discurso. A empresa, comprada da RD (Raia Drogasil) por R$ 600 milhões, está injetando R$ 20 milhões para saltar de dois para sete centros de distribuição até dezembro. A expansão física é a espinha dorsal da nova estratégia.

Por que o pagador mudou tudo

Segundo o vice-presidente Vilson Schvartzman, a transformação central está em quem paga a conta. Hoje, raramente um medicamento de alto custo sai do bolso do paciente; a fatura vai para planos de saúde ou para o governo.

Essa dinâmica criou a “venda triangular”: a operadora autoriza e paga, mas a logística exige entregar o produto na casa do beneficiário. A 4BIO já domina de 25% a 28% desse nicho B2P (business-to-patient), mas o crescimento real está no B2B puro.

Oncologia: o motor que cresce o dobro do varejo

A oncologia responde pela fatia principal da receita e dita o ritmo da expansão. Enquanto o varejo farmacêutico avança 6% a 7% ao ano, o segmento oncológico acelera entre 12% e 15%.

O pipeline futuro reforça a aposta: 45% dos lançamentos previstos para os próximos cinco anos são oncológicos. A meta é que a 4BIO seja reconhecida não só como parceira das operadoras, mas como a distribuidora de referência para clínicas de infusão e hospitais.

O mapa da nova logística

Os dois CDs atuais — em Pernambuco e São Paulo — permanecem dedicados ao modelo paciente final. Os cinco novos endereços miram exclusivamente a cadeia institucional:

  • Rio de Janeiro (já inaugurado)
  • Espírito Santo
  • Rio Grande do Sul
  • Distrito Federal
  • Segundo CD em São Paulo

Cada unidade tem entre 1.500 e 2.000 m², estoque de 500 SKUs e estrutura para atender a exigência de temperatura controlada e rastreabilidade total — pré-requisitos para entrar em licitações hospitalares e contratos com grandes operadoras.

Vacinas e doenças raras: as novas frentes

A estratégia não para na oncologia. A vacinação saiu das clínicas exclusivas e ganhou capilaridade em laboratórios e farmácias, com calendário que agora inclui imunizantes para adultos — mercado em expansão pós-pandemia.

Outro vetor são as doenças raras. A 4BIO atua pouco hoje, mas o ticket médio assusta: terapias que chegam a R$ 4 milhões por ano por paciente. A medicina preventiva, ainda incipiente no portfólio, também entra no radar como aposta de longo prazo.

Crescimento orgânico sem novas aquisições

O aporte de R$ 20 milhões sai 100% do caixa do Grupo Profarma. Não há previsão de M&A no horizonte imediato; o plano é ganhar escala orgânica, aprofundando relacionamentos com fontes pagadoras e clínicas especializadas.

A equação é simples na teoria: mais capilaridade logística + portfólio oncológico forte + entrada em doenças raras = maior share de um mercado que não para de crescer.

O que observar nos próximos trimestres

Dois indicadores dirão se a virada funcionou: a velocidade de ramp-up dos cinco novos CDs (meta é operação plena ainda este ano) e a evolução da receita B2B hospitalar, hoje secundária. Se a 4BIO conseguir replicar nos hospitais a dominância que tem na entrega domiciliar paga por operadoras, o objetivo de dobrar a participação deixa de ser ambição e vira projeção realista.