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Slopaganda: IA abocanha US$ 137 mi em eleições e 73% dos eleitores rejeitam

Gráfico mostra dinheiro queimando com símbolo de IA e urna, representando US$ 137 mi em slopaganda
Slopaganda consome US$ 137 mi em anúncios políticos de IA nas eleições dos EUA, rejeitada por 73% dos eleitores.

O termo “slopaganda” deixou de ser jargão de pesquisadores para virar a maior despesa oculta das eleições de meio de mandato nos EUA. Mais de US$ 137 milhões já foram torrados em anúncios políticos feitos por inteligência artificial, um salto absurdo frente aos US$ 50 mil de 2024. O detalhe que deveria assustar qualquer estrategista: a maioria do eleitorado odeia isso.

Pesquisadores do Wesleyan Media Project mapearam 220 peças publicitárias com DNA sintético até agora, mas avisam: o número real é bem maior. A conta não fecha para a transparência.

Republicanos dominam a fábrica de sintéticos

A assimetria é gritante. Candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano bancam 81% desses anúncios. Democratas respondem por apenas 12%, enquanto o restante vem de independentes.

O caso mais citado mira Abdul El-Sayed, democrata muçulmano que disputa o Senado em Michigan. Um vídeo financiado por aliados do senador Ted Cruz mostra o candidato segurando cartas com frases como “Morte aos EUA” e “Celebre o 11 de Setembro”. Imagens de família geradas por IA mostram mulheres com véus integrais ao lado dele. Raro entre os pares, o anúncio admite o uso da tecnologia.

O buraco negro da transparência

Se o exemplo de Michigan é exceção, a regra é o silêncio. Apenas 27% das peças identificadas avisam que foram feitas por IA, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do projeto Wesleyan. Nos EUA, não existe lei federal obrigando esse aviso.

  • Estados isolados criaram regras próprias, mas a colcha de retalhos deixa lacunas enormes.
  • Sem selo obrigatório, o eleitor não distingue fato de ficção sintética.
  • O senador Jon Ossoff (Democrata, Geórgia) classificou a escalada como “caminho perigoso rumo à destruição da verdade”.

Ossoff foi alvo de um anúncio não identificado como IA — mostrava-o em um salão de beleza “maquiando” contas — pago pelo Senate Leadership Fund, braço financeiro republicano no Senado.

Rejeição recorde e efeito contrário

Um levantamento para a Fundação AAPC crava: 73% dos eleitores consideram inaceitável o uso de IA em propaganda política. A repulsão é majoritária, mas o dinheiro segue fluindo.

Por que insistir? Um relatório do Centro de Política Tecnológica da NYU aponta que a “slopaganda” funciona melhor para mobilizar a base e arrecadar fundos do que para converter indecisos. O excesso de lixo sintético, porém, cria fadiga: o eleitor para de prestar atenção em tudo.

O que observar daqui para frente

Três variáveis vão ditar o próximo capítulo: a pressão por lei federal de rotulagem, a capacidade das plataformas de detectar e limitar o alcance não declarado, e o ponto de saturação do doador. Se a arrecadação via indignação cair, o modelo queima a própria ponte. Enquanto isso, o eleitor comum segue exposto a um teste de Turing involuntário a cada intervalo comercial.