Justiça

Senador foragido nos EUA: ação popular exige corte imediato de salário e verbas

Flávio Bolsonaro em foto oficial no Senado com bandeira dos EUA ao fundo, representando fuga para os Estados Unidos
Senador Flávio Bolsonaro está nos EUA desde terça (27) após descumprir ordem do STF para entregar passaportes

Dois advogados protocolaram, nesta sexta-feira (31), uma ação popular na 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro para bloquear subsídios e verbas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar está nos Estados Unidos desde terça-feira (27), após descumprir determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes à Polícia Federal. A medida judicial questiona a legalidade de manter pagamentos a um mandatário que não exerce o cargo no território nacional.

O que a ação pede na prática

O pedido assinado por Leonardo Nicolau Passos Marinho e Rodrigo da Silva Roma mira quatro fontes de recursos públicos vinculadas ao mandato:

  • Subsídio mensal (salário de parlamentar);
  • Verba de gabinete (contratação de assessores);
  • Auxílio-moradia;
  • Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAPS).

Segundo os autores, a permanência no exterior torna inviável o exercício do mandato e configura desvio de finalidade dos recursos do Senado, ferindo a moralidade administrativa e lesionando o erário.

Fuga ocorreu após derrota e ordem do STF

A saída do país aconteceu dois dias depois de Flávio Bolsonaro perder a disputa pela Presidência da República. Paralelamente, o STF havia determinado a entrega dos documentos de viagem à PF no âmbito de investigações em andamento. O senador, no entanto, embarcou para os EUA antes de cumprir a ordem judicial.

Em declarações recentes, ele afirmou que pretende “liderar a oposição” ao governo a partir do exterior. Para os advogados da ação, essa postura reforça o argumento de que a estrutura paga com dinheiro público estaria servindo a fins pessoais ou partidários, e não ao interesse colectivo que justifica o mandato.

Senado ainda não se manifestou sobre o caso

Até o momento, a Mesa Diretora da Casa não emitiu posicionamento oficial sobre a suspensão dos pagamentos. A assessoria do parlamentar também não respondeu aos contatos da reportagem. O silêncio administrativo abre espaço para que a Justiça Federal analise o mérito do pedido liminar nos próximos dias.

Juristas ouvidos reservadamente indicam que a análise deve pesar o princípio da representatividade popular contra a impossibilidade física de comparecimento às sessões e às comissões. Não há precedentes recentes de corte de verbas de parlamentar fora do país por iniciativa judicial, o que torna o desfecho incerto.

O que observar nas próximas semanas

A tramitação da ação na 6ª Vara Federal será o termômetro imediato. Se a liminar for concedida, o Senado terá de decidir entre acatar a ordem judicial ou recorrer, o que alongaria a disputa jurídica. Paralelamente, a relação diplomática com os EUA e a atuação do Itamaraty — que já cobra explicações de diplomatas argentinos sobre a entrada do senador no país vizinho — adicionam camadas políticas ao imbróglio.

Para o contribuinte, a questão central permanece: até quando recursos públicos financiam um mandato exercido a milhares de quilômetros de distância do plenário? A resposta deve sair antes do recesso parlamentar de fim de ano.