Economia

O segredo dos bancos: IPOs bilionários voltam à B3 em 2027…

Prédio da B3 em São Paulo com gráfico de alta simbolizando IPOs bilionários previstos para 2027
B3 projeta retorno de ofertas iniciais bilionárias a partir de 2027, segundo grandes bancos.

Grandes bancos de investimento já trabalham com a volta das ofertas iniciais de ações (IPOs) no Brasil a partir de 2027, ignorando o susto inicial do mercado com a reeleição de Lula. A projeção mais otimista prevê até dez estreias na bolsa no próximo ano, mas tudo depende de uma única variável que ainda não foi definida.

O otimismo não é geral. Enquanto o UBS BB aposta em uma janela ampla, o Santander condiciona o movimento à composição da equipe econômica e ao ajuste fiscal. A diferença de visão entre as instituições revela o tamanho da incerteza — e onde estão as oportunidades reais para quem sabe esperar.

O cenário base: bolsa barata e setores negligenciados

Para Anderson Brito, presidente do banco de investimento do UBS BB, os ativos brasileiros estão baratos e existem setores “subpenetrados” com alto potencial de expansão. A instituição projeta entre cinco e dez IPOs e 15 a 20 follow-ons (ofertas subsequentes) a partir de 2027.

Os alvos prioritários saem do consumo e miram infraestrutura, energia, óleo e gás, mineração e o próprio setor financeiro. A lógica é simples: empresas com receitas dolarizadas ou contratos de longo prazo oferecem a previsibilidade que o investidor estrangeiro busca em um cenário de juros altos.

O freio de arrumação: equipe econômica e juros

Gabriela Evans, chefe de renda variável do Santander Brasil, desenha um cronograma mais conservador. Follow-ons podem aparecer ainda no primeiro semestre, em volume semelhante a 2025 e 2026 (cerca de 10 operações). Já os IPOs ficam para o segundo semestre, condicionados à divulgação dos balanços do quarto trimestre.

  • Gatilho 1: Anúncio do Ministro da Fazenda (nomes como Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin circulam).
  • Gatilho 2: Sinalização clara de arcabouço fiscal crível.
  • Gatilho 3: Criação de condições para queda da Selic, segundo Christopher Garman, da Eurasia.

Sem a queda dos juros, avalia Garman, o mercado de capitais tende a permanecer fechado. A Faria Lima quer ofertas, mas a viabilidade macroeconômica ainda é uma incógnita.

A fila de espera: quem já tem o passaporte carimbado

Enquanto o governo monta o time, as empresas se preparam nos bastidores. No saneamento e infraestrutura, Aegea e EPR são as apostas mais sólidas para estrear na B3. No setor financeiro e tech, BV, Wellhub (ex-Gympass) e QuintoAndar monitoram a janela.

O QuintoAndar, inclusive, confirmou que o IPO está no horizonte, mas reforçou que a prioridade atual é autonomia operacional e rentabilidade — ou seja, não há pressa. Para follow-ons, a Faria Lima mira Equatorial, Energisa e Copasa, embora nenhuma negociação esteja em andamento no momento.

O contraste com a seca de 2026

O pano de fundo torna as projeções ainda mais relevantes. Em 2026, a B3 registrou apenas um IPO: a Compass (gás da Cosan), que levantou R$ 3 bilhões em maio. Agibank e PicPay optaram pela Nasdaq. No total, 11 operações (IPOs + follow-ons) movimentaram R$ 34,8 bilhões até agora, contra R$ 15,5 bilhões em dez follow-ons durante todo 2025, segundo a Anbima.

Nenhuma nova operação é esperada para o restante deste ano. O mercado entrou em modo de espera ativa.

O que observar daqui para frente

O investidor que busca se antecipar deve monitorar três frentes simultâneas: a definição do comando da Fazenda e o primeiro pacote de medidas fiscais; a trajetória da taxa Selic nas reuniões do Copom; e a temporada de balanços do 4T26, que ditará o valuation real das candidatas a IPO. A bolsa está barata, mas barato pode ficar mais barato se o risco fiscal não for endereçado. A janela de 2027 existe — a chave para abri-la está em Brasília, não na Faria Lima.