Cultura

O que o Ilê Aiyê esconde para o Carnaval 2027? Festa de 52 anos revela tudo

Festa dos 52 anos do Ilê Aiyê no Pelourinho lança tema Carnaval 2027 e Feir'Aiyê Império das Nana Benz
Multidão no Largo da Tieta celebra 52 anos do Ilê Aiyê com lançamento do enredo 2027 e feira de empreendedoras.

O Ilê Aiyê completa 52 anos neste domingo (1º) com uma festa que vai muito além do bolo no Largo da Tieta, no Pelourinho. A celebração marca o lançamento oficial do tema que vai nortear o “Mais Belo dos Belos” no Carnaval de 2027, antecipando a engrenagem da maior festa de rua do planeta.

Mas a programação reserva um atrativo paralelo que interessa diretamente a quem empreende: a Feir’Aiyê, edição “Império das Nana Benz”, ocupará o espaço das 15h30 às 22h30 com acesso gratuito. É vitrine pura para negócios afro-brasileiros.

Shows que cruzam gerações do samba-reggae

O palco receberá a Band’Aiyê, a banda da casa, e dois convidados de peso. O Muzenza, bloco afro nascido da influência do reggae jamaicano e do legado de Bob Marley, traz na bagagem músicas gravadas por Daniela Mercury, Gal Costa e Margareth Menezes.

Já a Orísun, criada em 2023 por Beto Jamaica, injeta sangue novo na festa. O grupo pesquisa o samba de terreiro e o samba de caboclo, manifestações ligadas aos terreiros de candomblé e às heranças afro-indígenas. É tradição e inovação dividindo o mesmo microfone.

O ingresso e a logística para não perder a hora

Quem quiser acompanhar os shows de dentro da área principal precisa garantir o ingresso do primeiro lote: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia-entrada). Os portões abrem às 18h30, trinta minutos antes do horário divulgado anteriormente para o início das apresentações.

Dica prática: chegue cedo se a ideia é circular pela feira antes dos shows. O fluxo de pessoas costuma travar as ruas do Centro Histórico nos eventos de grande porte do Ilê.

Feir’Aiyê: onde o dinheiro circula na comunidade

A feira de empreendedorismo negro não é apêndice da festa; é eixo central. A curadoria reuniu nomes que representam a cadeia produtiva da cultura afro-brasileira. Confira alguns expositores confirmados:

  • Baobá das Pretas e Salomão Acessórios: moda e adornos com identidade;
  • Ofá Agué e Negra Li Amigurumi: artesanato e design autoral;
  • Instituto Mãe Hilda Jitolu e Boutique do Ilê Aiyê: institucionais e merchandise oficial.

O recorte “Império das Nana Benz” homenageia as poderosas comerciantes de tecido do Togo e Benim, referências históricas de autonomia econômica feminina negra.

Mais de cinco décadas mudando a régua do Carnaval

Fundado em 1974, o Ilê Aiyê é reconhecido como o primeiro bloco afro do Brasil. A entidade forjou uma estética e uma política que obrigaram o Carnaval de Salvador a se olhar no espelho. Hoje, a atuação extravasa a avenida: projetos educacionais, culturais e sociais mantêm a engrenagem girando o ano inteiro.

O lançamento do tema de 2027 agora, com quase dois anos de antecedência, sinaliza a maturidade de uma gestão que planeja o espetáculo como produto cultural de exportação, não apenas como festa passageira.

O que observar daqui para frente

O tema do próximo Carnaval será o termômetro para entender quais narrativas ancestrais o bloco elege como prioritárias no momento político atual. Para investidores e observadores do mercado criativo, a Feir’Aiyê funciona como termômetro real de quais marcas negras estão escalando produção e design com potencial de escala. Acompanhar a repercussão do tema nas redes e a venda dos ingressos nos próximos lotes dirá se a máquina do Ilê segue a todo vapor ou se haverá ajustes de rota.