A Rede Paraíba de Comunicação montou a maior operação jornalística da história recente do estado para cobrir as eleições gerais de 2026, integrando TV, rádio, portal e jornal impresso em uma cobertura que durou mais de dois meses. O resultado foi um retrato detalhado de uma disputa que reelegeu o governador Lucas Ribeiro (PP) ainda no primeiro turno — feito inédito desde 2018 — e confirmou a força do presidente Lula (PT) em todos os 223 municípios paraibanos no segundo turno.
Mas a dimensão do trabalho vai muito além dos resultados das urnas. A convergência entre TVs Cabo Branco e Paraíba, portal g1 PB, Jornal da Paraíba e Rádio CBN criou um fluxo contínuo de informação que acompanhou convenções, sabatinas, agendas de campanha, checagem de fatos em tempo real e a apuração voto a voto.
O calendário que ditou o ritmo da cobertura
A operação começou antes mesmo do período eleitoral oficial. Em julho, a Rádio CBN abriu a série de sabatinas com os candidatos ao governo, realizadas entre os dias 13 e 16. Em agosto, a TV assumiu a dianteira: o Bom Dia Paraíba entrevistou os postulantes ao Palácio da Redenção de 31 de agosto a 8 de setembro.
Paralelamente, o Jornal da Paraíba inovou com a “SabaTeena”: 300 estudantes de três escolas de Campina Grande sabatinaram Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP). No mesmo mês, a CBN ouviu os candidatos a vice — Diogo Cunha Lima (PSD), Ligia Feliciano (União Brasil) e Nayana Pontes (PL).
O debate que parou o estado
Em 29 de setembro, às 22h15, os candidatos ao governo subiram ao palco para o debate transmitido ao vivo pela TV e pelo g1 Paraíba. Mediado pela jornalista Graziela Azevedo, repórter da Globo em São Paulo, o encontro teve quatro blocos:
- Blocos 1 e 3: tema livre, perguntas diretas entre candidatos;
- Blocos 2 e 4: temas sorteados entre eixos pré-definidos;
- Considerações finais no último bloco.
A estrutura forçou confrontos diretos e revelou posicionamentos que dificilmente apareceriam em entrevistas isoladas. Durante todo o primeiro turno, o Jornal da Paraíba realizou checagem de fatos paralela, separando dados verídicos de informações falsas repassadas nos microfones — um serviço direto ao eleitor.
Primeiro turno: números que desenharam o mapa político
No dia 4 de outubro, a apuração em tempo real no g1 Paraíba mostrou a reeleição de Lucas Ribeiro em turno único. A composição do Congresso e da Assembleia Legislativa saiu definida:
- Câmara dos Deputados: 12 eleitos (9 reeleitos). Republicanos: 3; PP e PL: 2 cada; PT, PCdoB e União Brasil: 1 cada.
- Assembleia Legislativa: 36 deputados. Republicanos e PP empatados com 8 cadeiras; PL com 6; MDB com 4; PSB com 3.
A cobertura do dia da votação incluiu transmissões especiais do programa “Conversa Política” pela manhã e à tarde, além de boletins constantes na CBN.
O vácuo entre turnos e a batalha presidencial
Com governador e bancadas definidos, os 21 dias entre 4 e 25 de outubro concentraram toda a atenção na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A Rede mapeou cada declaração de apoio, cada ato de campanha e cada manifestação de rua em João Pessoa, Campina Grande e no interior.
Eleitos para o parlamento foram entrevistados em série, revelando como a nova configuração de forças impactaria a governabilidade. No dia 25, a estrutura de apuração foi replicada: g1 em tempo real, Jornal da Paraíba com apuração minuto a minuto, CBN ao vivo e publicação dos números em cada um dos 223 municípios.
O que observar daqui para frente
A cobertura mostrou que a convergência de mídias não é apenas estratégia comercial — ela define a profundidade com que o eleitor acessa a informação. O modelo testado em 2026, com sabatinas segmentadas por público (estudantes, ouvintes de rádio, telespectadores de TV), checagem paralela e debate com regras claras, tende a virar referência para pleitos municipais de 2028.
Para quem atua em comunicação pública, gestão de campanhas ou análise de risco político, o caso Rede Paraíba 2026 oferece um roteiro: integração real de redações, formatos adaptados a cada plataforma e transparência metodológica nas checagens. O próximo ciclo eleitoral dirá se o padrão se consolida ou se foi exceção de um ano atípico.
