Justiça

Direita assume protagonismo dias após derrota; Tarcísio já mira 2030

Tarcísio de Freitas e Lula em destaque com Congresso Nacional ao fundo simbolizando disputa política 2030
Direita se reorganiza rapidamente após derrota enquanto Tarcísio já se projeta para 2030.

Lula venceu as urnas, mas foi a oposição quem ditou o ritmo político na semana seguinte. O governador Tarcísio de Freitas não esperou 48 horas para se colocar como alternativa para 2030.

O movimento expõe um vácuo de poder que pegou o Palácio do Planalto de surpresa. Enquanto a direita se reorganiza em velocidade recorde, o PT entrou em disputa interna por cargos antes mesmo de o governo começar a governar.

O efeito imediato: Congresso vive eleição antecipada

Em corredores e comissões, parlamentares só comentam a reorganização do campo conservador. A sensação é de que o ciclo 2027-2030 já começou, atropelando a posse do novo mandato.

Flávio Bolsonaro, dono de 60 milhões de votos, saiu de cena sem conceder. Dias depois, Tarcísio ocupou o espaço em entrevista longa a O Estado de S. Paulo, admitindo pela primeira vez a disposição de concorrer ao Planalto daqui a seis anos.

Racha no governo: “salto alto” e aliados no alvo

Setores do PT e do entorno de Lula trocaram o alívio da vitória pela arrogância. A briga por ministérios-chave — com olho em 2030 — já derruba reputações de quem ajudou a eleger o presidente.

Três nomes citados nos bastidores como alvos do fogo amigo:

  • Rafael Fonteles — governador do Piauí, articulador da vitória no Nordeste
  • Camilo Santana — senador e ex-governador do Ceará, ponte com o eleitorado conservador
  • Fernando Haddad — ministro da Fazenda, exposto ao desgaste do ajuste fiscal

A narrativa do ajuste e o bode expiatório do BC

Críticos internos tratam o debate fiscal como se fosse invenção da oposição ou da Faria Lima. O alvo da vez é Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária, acusado pelo partido de ser o responsável pelos “juros altos”.

Esquece-se que, sem a ancoragem do Banco Central, a inflação poderia ter derrubado a candidatura na reta final. O presidente tem histórico de demorar nas escolhas, mas o cenário não permite lentidão: sinais de credibilidade são urgentes.

Reforma tributária: a armadilha do “aumento de impostos”

A direita já testa a etiqueta de “reforma que sobe tributos” para colar no governo na largada de 2027. Barrar essa narrativa exige clareza na comunicação e velocidade na regulamentação — duas frentes onde o Planalto ainda titubeia.

O que observar daqui para frente

Três movimentos definirão se Lula retoma a iniciativa ou segue refém da pauta alheia: anúncio da equipe econômica definitiva, definição dos relatores da regulamentação tributária e posicionamento público sobre metas fiscais para 2025. Quem controlar a agenda nessas frentes ditará o ritmo até 2026 — e além.