Economia

Ibovespa Futuro recua: eleição, Vale e o medo da IA pesam no pregão

Gráfico do Ibovespa Futuro em queda com indicadores vermelhos e logos da Vale e bandeira do Brasil
Ibovespa Futuro recua 0,37% pressionado por eleição, balanço da Vale e temores sobre IA nos EUA

O Ibovespa Futuro abriu esta sexta-feira (30) em queda de 0,37%, aos 170.620 pontos, pressionado por um combo de ruídos domésticos e externos. A reeleição de Lula no domingo e o balanço fraco da Vale ditam o ritmo, mas o temor com gastos em inteligência artificial nos EUA adiciona uma camada extra de cautela.

O que a vitória de Lula muda para o mercado agora

Desde domingo, os agentes financeiros operam em modo “esperar para ver”. A virada histórica que garantiu um quarto mandato ao petista trouxe dúvidas sobre a condução da política econômica nos próximos quatro anos. A incerteza fiscal segue como principal vetor de risco percebido pelos investidores locais.

Não há anúncios concretos na mesa, mas a percepção de que o novo governo pode priorizar expansão de gastos em detrimento do arcabouço fiscal mantém o prêmio de risco elevado. O dólar futuro reflete isso: subia 0,06%, a R$ 5,390, logo nos primeiros negócios.

Vale decepciona e lucro derrete 53% no ano

A mineradora divulgou após o fechamento de quinta-feira números que vieram bem abaixo do consenso. O lucro líquido do terceiro trimestre somou US$ 1,255 bilhão — queda de 53% na comparação anual. Três fatores explicam o tombo:

  • Preço realizado do minério de ferro mais baixo no período;
  • Valorização do real corroendo a receita em dólar;
  • Custos de frete e combustível em alta.

O resultado reforça a sensibilidade da ação (VALE3) ao ciclo da commodity e ao câmbio — dois vetores que seguem voláteis.

Usiminas também erra o alvo e amplia cautela no setor

Não foi só a Vale. A Usiminas (USIM5) reportou lucro líquido de R$ 243 milhões no 3T23, ante expectativa de R$ 300,1 milhões. O Ebitda ajustado ficou em R$ 558 milhões, contra projeção de R$ 659,3 milhões. A siderúrgica sente o mesmo ambiente de margens apertadas e demanda fraca na China, maior consumidor global de aço.

Wall Street sangra: IA vira vilão das Big Techs

O cenário externo piorou o humor. O Nasdaq Futuro caía 2,62% às 9h05, puxado por resultados decepcionantes de Amazon e Intel. O S&P 500 Futuro recuava 1,13%, enquanto o Dow Jones Futuro ensaiava alta marginal de 0,02%.

O foco não é apenas o lucro do trimestre, mas a trajetória de investimentos em inteligência artificial. O mercado começa a questionar o retorno sobre os bilhões alocados em infraestrutura de IA, temendo que o ciclo de capex elevado aperte fluxos de caixa e comprima múltiplos. O receio: preços mais altos de dispositivos (smartphones, PCs) esfriem a demanda do consumidor final.

Petróleo sobe, minério cai e Ásia fecha mista

O petróleo opera em alta, a caminho do quarto mês consecutivo de ganhos. Ataques de houthis (alinhados ao Irã) contra a Arábia Saudita e a um navio-tanque no Estreito de Ormuz elevam o prêmio de risco geopolítico sobre a oferta global.

Já o minério de ferro na China fechou em baixa, pressionado pelo aumento dos estoques portuários e pelas margens persistentemente fracas das usinas siderúrgicas — sinal de que a demanda real segue frágil.

Na Ásia, bolsas fecharam sem direção única. O roubo de US$ 5,7 bilhões em criptoativos da Binance e os balanços fracos das techs americanas pesaram. No Japão, o Banco Central manteve juros inalterados, com a inflação alinhada à meta de 2% pela primeira vez desde 2013.

O que observar daqui para frente

A semana termina com mais perguntas do que respostas. No radar imediato: a composição da equipe econômica do novo governo, que pode sinalizar o grau de compromisso fiscal; a evolução do minério de ferro, que dita o humor de Vale e siderúrgicas; e a temporada de balanços nos EUA, onde cada guidance sobre capex em IA move o Nasdaq.

Para quem opera no Brasil, o câmbio segue como termômetro sensível. Se o dólar sustentar acima de R$ 5,40, a pressão sobre ativos de risco locais aumenta. Já uma trégua no exterior — com alívio nos rendimentos dos Treasuries — poderia abrir espaço para recuperação técnica do Ibovespa nas próximas sessões.