Economia

Recorde histórico em Santos: O alerta que ninguém viu no último mês

Vista aérea do Porto de Santos com navios e contêineres sob chuva intensa, recordando recorde histórico e queda em setembro
Porto de Santos bate recorde de 141,4 milhões de toneladas até setembro, mas chuvas atípicas derrubam último mês em 6,3%.

O Porto de Santos movimentou 141,4 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, novo recorde para o período e alta de 2% sobre o ano anterior. Mas o acumulado esconde uma virada brusca no último mês: setembro caiu 6,3% por causa de chuvas atípicas.

O detalhe que separa o otimismo do risco operacional está na composição dessa queda. Entender o que parou e o que acelerou define a estratégia logística para o último trimestre.

O motor por trás do crescimento

A carga geral conteinerizada puxou a alta do ano. Foram 47 milhões de toneladas, avanço de 3,2%, e 4,52 milhões de TEUs — também recorde no acumulado. O ritmo reflete a demanda por manufaturados e produtos de maior valor agregado, menos sensíveis a sazonalidades climáticas.

  • Embarques: 104,3 milhões de toneladas (+1,6%)
  • Desembarques: 37,1 milhões de toneladas (+2,9%)
  • Granéis sólidos: 71,2 milhões de toneladas (+0,8%)

Os granéis líquidos mantiveram trajetória estável, mas o protagonismo segue com o contêiner. A infraestrutura de terminais especializados absorveu o volume extra sem gargalos visíveis até agosto.

Setembro quebrou a sequência: chuva e granéis

O mês fechou com 15,5 milhões de toneladas, o pior desempenho mensal do ano. A Autoridade Portuária de Santos (APS) atribui o recuo a chuvas fora do padrão histórico, que forçaram a suspensão de operações de granéis sólidos — milho e açúcar não podem ser movimentados com umidade elevada.

O impacto foi assimétrico:

  • Milho: queda de 41,5% no mês
  • Açúcar: recuo de 22,3%
  • Granéis sólidos totais: -13,4%

Por outro lado, granéis líquidos bateram recorde histórico para um setembro (1,8 milhão de toneladas, +0,8%) e a movimentação de contêineres também marcou novo teto mensal: 518,6 mil TEUs (+0,6%). A chuva freou o agro, mas não a indústria.

China e São Paulo: os pilares do comércio

Nos nove meses, o complexo respondeu por 27,7% da corrente comercial brasileira, somando US$ 140,8 bilhões. A China concentrou US$ 43,4 bilhões (30,8% do total), mantendo a posição de destino único mais relevante.

Do lado da origem, São Paulo representou 50,1% das transações processadas pelo porto. A concentração geográfica e de parceiro comercial expõe a cadeia a choques externos — cambiais, geopolíticos ou climáticos na bacia do Prata.

O que observar daqui para frente

O último trimestre costuma ser forte para exportação de soja e farelo, justamente os granéis mais sensíveis a precipitações. Se o padrão de chuvas atípicas persistir, a fila de navios e o custo de demurrage tendem a subir.

Monitore três variáveis nas próximas semanas: previsão climática para a região portuária, programação de safra de soja no interior paulista e mato-grossense, e a taxa de ocupação dos berços de granéis líquidos — que vêm operando no limite. Quem antecipa janelas de embarque ou diversifica rotas por portos secundários ganha margem de manobra quando o maior corredor da América do Sul trava.