Rodrigo e Rogério Nogueira construíram uma rede de 40 unidades sem abrir mão da essência que os tornou lendas do MMA. A transição de atletas para gestores exigiu mais do que nome forte: demandou processos, governança e uma aposta arriscada em franquias.
O resultado? Um faturamento que superou R$ 100 milhões em 2023, com projeção de dobrar de tamanho até 2026. Mas o caminho até aqui esconde decisões que a maioria dos empreendedores evita.
Da lona para a planilha: a virada de chave
Em 2016, os irmãos perceberam que o modelo de “academia do Minotauro” não escalava. Cada unidade dependia da presença deles. Alunos vinham pela lenda, não pelo método. A solução veio de fora: contrataram um CEO do varejo e montaram conselho consultivo com executivos de redes como Cacau Show e Smart Fit.
Foi o fim da gestão por intuição. Entraram KPIs, padronização de aulas, CRM e treinamento contínuo de professores. A marca virou produto, não pessoa.
O modelo de franquia que foge do óbvio
Diferente do mercado fitness tradicional, a Team Nogueira não vende apenas equipamentos e espaço. O franqueado recebe:
- Metodologia exclusiva de artes marciais adaptada para não-atletas
- Sistema de gestão integrado (vendas, frequência, financeiro)
- Suporte de marketing local com verba nacional
- Certificação obrigatória de instrutores a cada 6 meses
O investimento inicial varia entre R$ 450 mil e R$ 1,2 milhão. O payback médio prometido: 24 a 30 meses. Até agora, nenhuma unidade fechou as portas.
Por que o foco no “aluno comum” mudou tudo
O insight veio dos números: 85% da base nunca pisou em um octógono. São executivos, mães, adolescentes. A metodologia foi reescrita para atender esse público — sem perder a identidade de luta.
As aulas de 50 minutos combinam técnica, condicionamento e cultura de respeito. Zero contato pleno para iniciantes. A retenção média subiu de 6 para 14 meses após a reformulação.
O efeito nos pequenos negócios e a expansão internacional
Cada franquia gera em média 12 empregos diretos. Em cidades médias, vira referência de saúde e comunidade. A marca já testa dois pilotos em Portugal e negocia master franchise para México e Colômbia.
Mas o crescimento traz risco: manter a cultura com donos que nunca lutaram. A resposta está no “Nogueira Way” — imersão obrigatória de 10 dias na matriz para todo franqueado e gerente. Inclui treino, aulas de filosofia e almoço com os irmãos.
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar o próximo capítulo: a entrada de private equity (já sondada), a digitalização com app próprio de treinos e a sucessão — os filhos de Rodrigo já treinam na rede. Se a profissionalização segurar a alma da marca, o caso vira estudo de caso em Harvard. Se não, vira alerta.
Para o empresário que acompanha: a lição não é sobre luta. É sobre transformar paixão em processo sem matar a paixão no processo.
