A BYD quer ser a marca número um do país em menos de seis anos e acaba de colocar fichas pesadas na mesa: a montadora chinesa vai saltar de 250 para 400 concessionárias em 42 meses, com foco exclusivo no interior. O movimento representa alta de 60% na rede e sinaliza que a disputa pela liderança não será decidida apenas nas capitais.
O tabuleiro mudou: interior vira prioridade estratégica
Até pouco tempo, carros elétricos no Brasil eram fenômeno restrito a grandes centros urbanos. A BYD decidiu quebrar essa lógica. Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da operação brasileira, a capilaridade da rede é o “principal ponto” para atingir a meta de 2030.
“É necessário ter a melhor rede de distribuição no Brasil, que é um país continental. Aumentar as concessionárias é importante para estar perto do consumidor, explicar o nosso carro para ele e aumentar a confiança no pós-venda”, afirmou o executivo durante premiação da pesquisa Folha Top of Mind.
Fábrica na Bahia: de pilar de confiança a motor de volume
A planta de Camaçari, instalada no antigo complexo da Ford, completou pouco mais de um ano de operação. Para Baldy, a inauguração cumpriu papel simbólico e prático: “A marca não é aventureira, veio para ficar”.
Agora, a empresa anunciou intenção de investir mais de R$ 10 bilhões para dobrar a capacidade produtiva. A expansão depende de licenças ambientais e operacionais, mas o recado ao mercado é claro: a produção local será escalada para sustentar a rede ampliada.
- Rede atual: 250 concessionárias
- Meta em 3,5 anos: 400 pontos (+60%)
- Foco geográfico: Interior do país
- Investimento anunciado: > R$ 10 bilhões
- Objetivo declarado: Liderança de mercado até 2030
Memória de marca dispara, mas desconhecimento ainda assusta
Os números da pesquisa Datafolha 2026 mostram um cenário paradoxal. A BYD conquistou o prêmio Top Performance pelo segundo ano consecutivo — a marca que mais cresceu na memória espontânea dos brasileiros.
Na categoria “Carro Elétrico”, a montadora saltou 13 pontos percentuais, atingindo 36% das menções. É o maior avanço registrado pelo instituto na última década. Porém, 44% dos entrevistados não souberam citar nenhuma marca de veículo elétrico espontaneamente. Em 2025, esse índice era de 55%.
Desinformação vira inimigo número um da revenda
Para Pablo Toledo, diretor de comunicação da empresa, o desconhecimento tem impacto direto no bolso do consumidor. “Uma das nossas principais tarefas é tentar vencer a desinformação, o que pode aumentar o poder de revenda. A construção da eletrificação depende muito de construir informações úteis para quem acompanha o segmento.”
A lógica é simples: quanto mais o público entende a tecnologia, menor o temor em relação a depreciação, manutenção e infraestrutura de recarga. Isso alimenta um ciclo virtuoso de confiança e liquidez no mercado de usados.
Críticas do setor e a resposta na prática
Montadoras tradicionais questionam o modelo de negócios da BYD, alegando importação de veículos semiprontos e baixa geração de desenvolvimento tecnológico local. A resposta da chinesa vem em forma de investimento produtivo e expansão física — duas métricas difíceis de contestar em curto prazo.
O anúncio dos R$ 10 bilhões adicionais, somado à meta de 400 lojas, funciona como contra-argumento tangível. Resta saber se o ritmo de aprovação de licenças na Bahia acompanhará a velocidade do plano comercial.
O que observar daqui para frente
Três variáveis vão ditar se a estratégia se sustenta: a velocidade de abertura das 150 novas concessionárias no interior, a liberação das licenças para dobrar a fábrica baiana e a curva de queda do desconhecimento sobre veículos elétricos na próxima pesquisa Datafolha. Se a BYD conseguir transformar capilaridade em volume e volume em liderança, o mapa do setor automotivo brasileiro terá sido redesenhado em menos de uma década.
