Empresários próximos ao presidente pressionam por um sinal direto dele sobre o rumo das contas públicas. Até agora, só houve promessas genéricas e a Bolsa reagiu mal.
A queda da B3 e a alta do dólar nas últimas sessões acenderam o alerta no Palácio do Planalto. O recado dos aliados é claro: falas do ministro da Fazenda não bastam. O peso da palavra presidencial é insubstituível.
O que está em jogo no curto prazo
O centro da meta fiscal para 2025 prevê superávit primário de 0,5% do PIB. Parece modesto, mas o caminho até lá está obstruído. Só as medidas de caráter eleitoral anunciadas durante a campanha somam mais de R$ 40 bilhões em pressão adicional no Orçamento do ano que vem.
Até o momento, o governo não apresentou como vai acomodar esse volume sem furar a meta. O ministro Dario Durigan prometeu levar um pacote a Lula nos próximos dias. Parte precisará de aval do Congresso.
Por que a fala do presidente faz diferença
Segundo interlocutores ouvidos reservadamente, Lula tem se limitado a citar o histórico de responsabilidade fiscal de gestões anteriores. Não basta. O mercado precifica incerteza — e incerteza custa juros mais altos, dólar pressionado e investimento travado.
- Meta oficial: superávit de 0,5% do PIB em 2025
- Gasto extra já contratado: > R$ 40 bilhões
- Ajuste ideal segundo economistas: 1,5% do PIB
- Teto político provável: bem abaixo do ideal
Um dos empresários resumiu: “Lula prometeu o melhor mandato da vida dele. Sem contas arrumadas, virão juros altos, inflação e desemprego. O crescimento some.”
O dilema do tamanho do ajuste
Técnicos calculam que seria necessário um esforço fiscal de 1,5% do PIB para ancorar expectativas com folga. A avaliação política, porém, é que o presidente não autorizaria corte nessa magnitude. O meio-termo seria sinalizar um ajuste robusto nos primeiros anos do mandato — mesmo que o número final fique aquém do ideal.
Mas o sinal não veio. E o silêncio tem preço.
O que observar nas próximas semanas
Três movimentos dirão se o governo entendeu o recado: (1) a apresentação formal do pacote de Durigan a Lula; (2) a disposição do presidente em endossá-lo publicamente com clareza; (3) a velocidade de tramitação no Congresso das medidas que dependem de lei.
Se o presidente falar — e falar com números —, o mercado reage na hora. Se continuar no campo das generalidades, a conta virá na forma de Selic mais alta por mais tempo. Para quem decide investimentos, contratações ou preços, a janela de decisão está aberta. O relógio corre.
