Economia

Fábrica de R$ 1,7 bi expande no Brasil: o cabo que falta na sua operação

Fábrica da Prysmian em construção em Poá SP para produção de cabos de energia
Nova unidade da Prysmian em Poá (SP) inicia operações no 2º semestre de 2025 com investimento de R$ 1,7 bilhão

A Prysmian, gigante italiana avaliada em R$ 1,7 bilhão no Brasil, confirmou a construção de uma nova unidade fabril em Poá (SP) para atender a demanda explosiva por cabos de energia. A planta entra em operação no segundo semestre de 2025 e deve gerar 200 empregos diretos. O movimento sinaliza uma aposta bilionária na infraestrutura que sustenta data centers, frota elétrica e redes inteligentes.

Por que os cabos viraram o novo petróleo

O consumo de energia no país cresce acima da média histórica. Só no primeiro semestre de 2024, a carga no Sistema Interligado Nacional (SIN) subiu 4,2% frente ao mesmo período do ano anterior. Data centers sozinhos devem demandar 3 GW adicionais até 2028 — o equivalente a uma usina de Belo Monte.

Carros elétricos e híbridos emplacaram 147 mil unidades nos primeiros oito meses do ano, alta de 89% sobre 2023. Cada veículo exige infraestrutura de recarga que, por sua vez, puxa cabos de média e alta tensão. A conta não fecha sem expansão industrial.

O que a nova fábrica muda na prática

A unidade de Poá focará em cabos de média tensão (até 35 kV) e acessórios — exatamente o gargalo das concessionárias hoje. Enel e Neoenergia, principais clientes da Prysmian no Brasil, têm planos de investir R$ 30 bilhões combinados em modernização de redes até 2027.

  • Capacidade inicial: 15 mil km de cabos/ano
  • Investimento: R$ 120 milhões na primeira fase
  • Início da produção: 2º semestre de 2025
  • Fornecimento prioritário: distribuidoras e grandes consumidores livres

Mas o efeito mais relevante aparece na cadeia de fornecedores locais.

Efeito cascata nos pequenos e médios

A Prysmian compra insumos — cobre, alumínio, compostos poliméricos, embalagens — de mais de 300 fornecedores nacionais. A nova planta eleva a demanda por matéria-prima em cerca de 18%, segundo estimativas setoriais. Empresas de usinagem, logística e manutenção industrial na Grande São Paulo já relatam consultas antecipadas para contratos de 2025.

Há, porém, um ponto de atenção: a mão de obra especializada. Soldadores de cabos de média tensão e técnicos em ensaios elétricos estão em falta no mercado. A própria Prysmian firmou parceria com o Senai para formar 80 profissionais até o fim do primeiro trimestre.

Cenários para quem negocia contratos agora

Com a fábrica nacional, prazos de entrega para cabos sob encomenda caem de 16-20 semanas (importados) para 6-8 semanas. Para grandes consumidores livres que planejam expansão de carga em 2025, a janela de negociação se abre agora — contratos assinados no primeiro trimestre garantem alocação na primeira leva de produção.

Do lado das distribuidoras, a Aneel prevê leilões de reforço de rede que somam R$ 12 bilhões em investimentos autorizados para 2025-2026. Quem tem estoque ou capacidade produtiva contratada larga na frente.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis definem o ritmo real dessa expansão: a taxa de juros (impacta CAPEX das concessionárias), o leilão de reserva de capacidade previsto para dezembro e a velocidade de licenciamento ambiental de novas subestações. Empresários do setor elétrico devem monitorar o PDE 2034 — o Plano Decenal de Expansão — que será publicado pelo MME até março. Nele estarão os números oficiais que validam ou corrigem a aposta da Prysmian. Quem alinhar contratos e supply chain antes da publicação captura margem; quem espera o plano oficial paga o prêmio da urgência.