Justiça

MPSP acessa 58 mil câmeras do SmartSampa: o que muda no combate ao crime

Sala de monitoramento do SmartSampa com múltiplas telas exibindo câmeras de vigilância urbana em São Paulo
Centro de controle do SmartSampa: 58 mil câmeras agora acessíveis ao Ministério Público para investigações criminais

O Ministério Público de São Paulo acaba de ganhar acesso direto à maior rede de monitoramento urbano do país. Dois acordos técnicos assinados com a prefeitura autorizam o uso das imagens do SmartSampa em investigações criminais e na fiscalização de medidas protetivas. A parceria tem prazo definido, mas o impacto pode ser permanente.

Dois focos, prazos diferentes

O primeiro convênio, voltado ao Gaeco, vale por 12 meses renováveis. Promotores de justiça poderão solicitar imagens em tempo real ou arquivadas para embasar investigações de crime organizado. O segundo, com duração de 60 meses, destina-se ao Núcleo de Gênero do CAOCrim: a Guarda Civil Metropolitana usará o sistema para localizar e notificar agressores que descumprem ordens de afastamento.

Segundo o MPSP, cerca de 40% dos homens sujeitos a medidas protetivas não são encontrados para assinar o termo de ciência. A expectativa é que o cruzamento de dados de geolocalização e reconhecimento facial reduza essa lacuna.

Infraestrutura em expansão

A rede atual conta com 58 mil câmeras espalhadas pela capital. A prefeitura já anunciou a instalação de mais 20 mil equipamentos nos próximos meses. A cobertura abrange vias principais, corredores de ônibus, terminais e áreas de maior incidência criminal, segundo mapeamento da Secretaria Municipal de Segurança Urbana.

  • 58 mil câmeras ativas hoje
  • +20 mil previstas para expansão
  • Cobertura em corredores de transporte e áreas críticas

O que disse o Gaeco

Em coletiva na terça-feira (27), o promotor Luiz Fernando Bugiga Rebellato destacou que o sistema vai além da identificação de suspeitos. “O policiamento preventivo, o monitoramento e os deslocamentos de determinados alvos têm um potencial muito grande para aprimorar as nossas investigações”, afirmou. A fala sinaliza uso estratégico de padrões de deslocamento, não apenas flagrantes pontuais.

O episódio do vazamento

Na semana anterior à assinatura, veio a público o acesso indevido a dados do sistema por um operador. A prefeitura classificou o caso como isolado e garantiu que não houve falha estrutural de segurança. O episódio, contudo, reacende o debate sobre governança de dados biométricos e controle de acesso interno — tema que deve acompanhar a expansão da rede.

O que observar daqui para frente

A eficácia dos acordos será medida por indicadores concretos: redução no tempo de localização de foragidos, aumento na notificação de agressores e volume de inquéritos instruídos com imagens do sistema. Para gestores de segurança privada e corporativa, o movimento sinaliza tendência de integração entre monitoramento público e investigação institucional. Vale acompanhar se outros estados replicarão o modelo e como a LGPD será aplicada no compartilhamento contínuo de dados sensíveis.