Tecnologia

WPP abre hub de produção com IA em SP: o que muda para o mercado

Estúdio WPP Production no WPP Campus São Paulo com salas de produção integradas e tecnologia de IA
Novo hub de 182,6 m² na Vila Leopoldina conecta criação, produção e pós-produção via plataforma WPP Open e IA híbrida.

A WPP Production acaba de inaugurar seu novo estúdio integrado no WPP Campus, na Vila Leopoldina, em São Paulo. O espaço de 182,6 m² foi desenhado para eliminar gargalos entre criação, produção e pós-produção, conectando todas as etapas à plataforma WPP Open e a um pipeline híbrido de inteligência artificial. A promessa: entregar volume maior de conteúdo para a América Latina com orçamentos mais enxutos.

Como o hub funciona na prática

Dez salas dispostas em circuito único abrigam sets de captação de áudio e imagem, ilhas de edição e salas de finalização modulares — estas últimas projetadas pela TruePhonic e pela Harmonia seguindo padrões globais da holding. A configuração permite adaptação rápida conforme a demanda de cada projeto, sem a necessidade de deslocar equipes entre fornecedores externos.

O foco inicial recai sobre dois setores de alta rotatividade na região: saúde e beleza, e alimentos e bebidas. Mas a estrutura é flexível o suficiente para atender outras categorias, desde campanhas institucionais até desdobramentos massivos para redes sociais.

O papel da IA no novo pipeline

A inteligência artificial não substitui o processo criativo; ela o acelera. Segundo Luiza Pagliarini, head de produção integrada da WPP Production Brasil, a tecnologia atua na construção de storyboards, desenvolvimento de cenários digitais, ampliação de peças no print e desdobramento de conteúdos em escala. O ganho de velocidade é real, mas a executiva faz uma ressalva importante:

  • Reuniões de alinhamento em pré-produção continuam indispensáveis
  • Times sêniores supervisionam todas as etapas de aprovação
  • O custo de tokens da plataforma proprietária impõe limites naturais ao uso ilimitado

“Quando vemos um filme montado no off-line, é igual a uma filmagem. Não voltamos para reproduzir novas imagens, porque já passamos dessa etapa no pipeline”, explica Pagliarini. A regra evita loops infinitos de revisão e mantém o orçamento sob controle.

Perfil da equipe: só profissionais híbridos

Mais de 60 profissionais fixos compõem o time — produção executiva, motion design, tratamento de imagem e outras especialidades. O critério de contratação é explícito: ninguém entra se não operar em pelo menos duas frentes. “Não temos ninguém no time que não seja um profissional híbrido e não consiga jogar, pelo menos, em duas posições”, resume a head.

Essa formação reflete a transição que o mercado vive: a fronteira entre “criativo” e “técnico” dissolveu-se. Quem só sabe criar sem entender a execução, ou só executa sem visão de craft, deixa de ser competitivo.

Sustentabilidade e o movimento de internalização

O hub segue as diretrizes globais de sustentabilidade do WPP, com compensação de carbono via plataforma Ad Green e práticas de sets mais verdes. Não é um diferencial isolado: faz parte de uma onda maior.

Em fevereiro, o Publicis renomeou o PXP para Publicis Production, posicionando-se como empresa de conteúdo que conecta craft a dados de audiência via IA. Em maio, a Galeria.Holding adquiriu a The Future Studios, produtora especializada em inteligência artificial. As grandes holdings estão trazendo a produção para dentro de casa.

Coexistência, não monopólio

Pagliarini defende que a internalização não elimina o ecossistema externo. A WPP Production continua contratando freelancers e trabalhando com produtoras de pequeno, médio e grande porte. “Não conseguimos ter todos os especialistas dentro de casa”, admite. A estratégia é montar a estrutura mais eficiente para cada job, combinando talentos internos e parceiros externos.

O que observar nos próximos meses

O hub de São Paulo espelha, em escala reduzida, o Devon’s Point de Londres — instalação de mais de 3 mil m² com produção virtual avançada, ambientes modulares e pós-produção integrada. O plano Elevate28, que prevê a retomada do crescimento orgânico do WPP até 2027, tem na centralização da produção (aposentando a marca Hogarth globalmente) um de seus pilares.

Para anunciantes e profissionais do mercado, o sinal é claro: a integração entre IA, craft humano e estrutura própria deixa de ser experimento e vira padrão operacional. Quem ainda terceiriza tudo sem visibilidade de ponta a ponta corre o risco de ficar fora do novo fluxo de valor.