O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou na madrugada desta segunda-feira (26) um vídeo em inglês no qual classifica a eleição presidencial como fraudulenta e convoca a comunidade internacional a não reconhecer a vitória de Lula (PT). A gravação ecoa a contestação feita pelo irmão, Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.
Sem apresentar provas de adulteração, o parlamentar cassado afirma que a virada entre os dois turnos seria “estatisticamente impossível”. O Tribunal Superior Eleitoral rebate: o presidente da Corte, Nunes Marques, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.
O que diz o vídeo e por que repercute
Na publicação nas redes sociais, Eduardo pede que apoiadores no exterior compartilhem o conteúdo e pressionem autoridades brasileiras. “Precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional”, diz no trecho inicial.
Para sustentar a tese, ele compara votações dos dois turnos, cita pesquisas eleitorais e menciona votos de candidatos eliminados na primeira etapa. Nenhum dado técnico ou laudo pericial acompanha a argumentação.
Resposta institucional e precedentes
O TSE também contestou a alegação de Flávio Bolsonaro de que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre durante a apuração. Segundo o tribunal, o espaço não é aberto à visitação, e representantes do partido acompanharam a totalização em área destinada à fiscalização.
Não é a primeira vez que a família questiona o sistema. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) não reconheceu o resultado e, segundo investigações, tramou ruptura institucional. Em 2014, Aécio Neves (PSDB) pediu recontagem. Em 2018, o próprio Jair Bolsonaro, já eleito, alegou que teria vencido no primeiro turno.
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O padrão que se repete
A contestação de 2026 segue roteiro conhecido: questionamento prévio da segurança das urnas, recusa em aceitar derrota, apelo a instâncias internacionais e ausência de evidências materiais. Em entrevista ao programa norte-americano Louder with Crowder na sexta-feira (23), Eduardo já defendia que o irmão deixasse o Brasil caso perdesse.
“Não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina”, declarou na ocasião, ignorando os múltiplos mecanismos de auditoria do sistema brasileiro.
O que observar daqui pra frente
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro protocolará pedido de anulação nos próximos dias. O TSE deve responder tecnicamente a cada ponto levantado. Para o mercado e investidores, o foco permanece na transição institucional e na capacidade das instituições de manter a normalidade democrática — o que, até aqui, tem ocorrido sem sobressaltos.
