Tecnologia

Internet cortada sem aviso: o pesadelo de 10 dias para empresas em SP

Equipes da CPFL e Vivo removem fiação de telecom na Av. Eduardo Gomes de Souza, City Ribeirão
Cabos de internet cortados deixam prédio comercial offline por até 10 dias em Ribeirão Preto.

Equipes da CPFL Paulista e da Vivo arrancaram toda a fiação de telecomunicações da Avenida Eduardo Gomes de Souza, no bairro City Ribeirão, na segunda-feira (26), deixando um prédio comercial inteiro offline sem qualquer notificação prévia. A estimativa para religar a internet chega a dez dias. Para os 15 funcionários de uma administradora de condomínios e dezenas de profissionais de coworking — advogados, corretores e financeiros —, a segunda-feira virou um dia perdido.

O dia em que o trabalho parou às 16h

A manhã começou com a conexão instável, atribuída às chuvas do fim de semana. Por volta das 16h, a situação virou caos: um caminhão da CPFL estacionou em frente ao imóvel e técnicos começaram a cortar e retirar todos os cabos dos postes. “Foi arrancando tudo”, relata o empresário Robinson Cardoso, responsável pela administradora.

Ele abordou a equipe e ouviu que a remoção se devia a irregularidades na instalação das operadoras. A revolta, no entanto, não é com a manutenção, mas com o silêncio. “Não nos avisaram, não deram nenhuma notificação para nós que iríamos ficar sem internet”, desabafa Cardoso.

O impacto imediato no faturamento

O prédio funciona como um hub de serviços que dependem 100% de banda larga estável. A lista do que parou é direta:

  • Administração de condomínios: 15 funcionários impossibilitados de acessar sistemas de gestão e boletos.
  • Escritórios de advocacia: prazos processuais e petições travados.
  • Imobiliárias e financeiras: contratos, simulações e atendimento ao cliente suspensos.

Cardoso resume o cenário: “Estamos desesperados porque a gente depende 100% da internet para trabalhar, os nossos clientes também. A gente não sabe o que faz.”

A versão da concessionária de energia

Em nota oficial, a CPFL Paulista afirma que a intervenção foi motivada por risco à segurança da população. A ação teria ocorrido após reclamações de moradores e acionamento da Prefeitura de Ribeirão Preto. A concessionária sustenta que notificou as operadoras de telecomunicações responsáveis pela infraestrutura para que regularizassem a instalação dentro de um prazo que, segundo a empresa, venceu sem providências.

A CPFL reforça que, embora seja dona dos postes e fiscalize o compartilhamento, a manutenção dos cabos e o cumprimento das normas técnicas cabem às teles. Imagens feitas no local, contudo, mostram funcionários da própria CPFL executando a retirada física da fiação.

O silêncio da operadora

A Vivo confirmou o envio de uma equipe técnica ao endereço para avaliar a situação, mas não apresentou prazo para o restabelecimento do serviço. A informação passada ao empresário no local — de até dez dias para nova instalação — permanece como o único horizonte concreto.

O que observar daqui para frente

O episódio escancara um risco operacional invisível para quem aluga salas comerciais: a dependência de infraestrutura aérea compartilhada, onde a briga regulatória entre concessionária de energia e operadoras pode derrubar a conexão do dia para a noite, sem aviso ao inquilino. Empresas que operam em regiões com fiação antiga ou “emaranhada” nos postes devem mapear quem é o dono do poste e qual a situação cadastral daquela rede junto à Anatel e à concessionária local. Ter um plano B — seja link dedicado via fibra óptica subterrânea, backup 4G/5G gerenciado ou contrato de SLA com penalidades claras — deixa de ser luxo e vira seguro de continuidade.