Internacional

Eleição dispara procura por vistos: escritório cresce 500% em 24h

Leonardo Freitas, CEO da Hayman Woodward, aponta para gráfico de crescimento de 500% em vistos pós-eleição
Demanda por vistos quintuplica em 24h após campanha do CEO nas redes sociais sugerindo saída do país.

Um escritório de advocacia migratória sediado em Washington e Dubai viu a demanda por vistos quintuplicar entre o domingo da eleição e a segunda-feira seguinte. O gatilho: uma campanha nas redes sociais do fundador, que tem 180 mil seguidores, sugerindo a saída do país para insatisfeitos com o resultado das urnas.

O empresário Leonardo Freitas, CEO da Hayman Woodward, usou stories e vídeo no feed para transformar o momento político em oportunidade de negócio. A empresa saltou de uma média de 50 consultas diárias para 300 em poucas horas.

A estratégia por trás do crescimento

No domingo (25), enquanto a apuração confirmava a vitória de Lula (PT), Freitas publicou uma notícia sobre o resultado com a legenda: “E você achando que o Brasil é um país sério… que tal passar os próximos cinco anos fora do Brasil?”.

Em outra postagem, foi mais direto ao patrimônio dos seguidores: “independente do resultado final, se os últimos acontecimentos não te convenceram a tirar todo o seu patrimônio de longo prazo do Brasil, eu não sei o que irá”.

O vídeo no feed encerrava a sequência com uma proposta clara: “Você tem um problema, você não está satisfeito com o resultado das eleições do Brasil e agora você não sabe o que fazer. Se você tem vontade de migrar para os Estados Unidos, Europa, Emirados Árabes Unidos, Singapura, inclusive outros países pelo mundo, nós temos a solução para você. Uma solução rápida, segura e totalmente legal”.

De onde vêm os pedidos

Segundo dados da própria empresa, a maior concentração de solicitações partiu da região Sul do país. O escritório afirma ter aprovado, ao longo de sua trajetória, mais de 55 mil green cards — o visto de residência permanente nos EUA.

  • Demanda anterior: 50 pedidos/dia (média)
  • Pico pós-eleição: 300 pedidos/dia
  • Variação: +500% em 24 horas
  • Região líder: Sul do Brasil
  • Destinos citados: EUA, Europa, Emirados Árabes, Singapura

O que move o mercado migratório em momentos de virada política

Especialistas em mobilidade global observam que picos de procura por vistos costumam seguir eleições polarizadas, crises cambiais ou mudanças bruscas de legislação tributária. O fenômeno não é exclusivo do Brasil: ocorreu nos EUA após 2016, no Reino Unido pós-Brexit e na Argentina em diferentes ciclos eleitorais.

A diferença aqui está na velocidade da conversão. A estrutura digital da Hayman Woodward — com funil de captação pronto, equipe bilíngue e processos padronizados para múltiplas jurisdições — permitiu absorver a onda sem gargalo operacional aparente.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão se o pico vira tendência sustentada: a efetiva taxa de conversão de consultas em contratos assinados, a aprovação real dos pedidos junto às autoridades migratórias de cada país e a manutenção do fluxo após o arrefecimento do noticiário eleitoral. Historicamente, 60% a 70% das consultas iniciais em picos emocionais não avançam para formalização. Para o investidor ou empresário que monitora o setor, o indicador-chave não é o volume de leads, mas o CAC (custo de aquisição de cliente) e o LTV (valor do ciclo de vida) nos próximos 90 dias.