Economia

JPMorgan elege 3 ações para surfar o dólar alto após eleição

Gráfico de ações Suzano, Vale e Gerdau com símbolo do dólar em alta sobre fundo da bolsa brasileira
JPMorgan aposta em Suzano, Vale e Gerdau para ganhar com dólar forte pós-eleição.

O JPMorgan posiciona o setor de commodities como a grande aposta defensiva da bolsa brasileira no pós-eleição. A lógica é direta: a expectativa de um real mais fraco turbinará a geração de caixa de empresas com receita em dólar. Suzano, Vale e Gerdau são os nomes escolhidos para liderar esse movimento.

Mas o que separa essas três das demais exportadoras? A resposta está nos gatilhos específicos que cada uma carrega para os próximos anos.

O câmbio como motor principal

O relatório, assinado pela equipe de Rodolfo Angele, parte de uma premissa macroeconômica: o cenário político deve pressionar a moeda brasileira. Para o banco, essa desvalorização não é apenas um risco — é o vetor de valorização para quem exporta.

Empresas de materiais básicos entram em “overweight” (exposição acima da média) justamente por terem o balanço naturalmente hedgeado contra a volatilidade doméstica. Quanto mais o real cai, maior a margem operacional em reais.

Suzano: a joia da coroa com gatilho em 2026

A preferência número um do banco continua sendo a Suzano (SUZB3). A tese vai além do câmbio e apoia-se em dois pilares concretos que se materializam no médio prazo:

  • Projeto Cerrado: entrada em operação eleva volumes e encerra ciclo pesado de investimentos;
  • Ciclo da celulose: expectativa de alta estrutural de preços em 2026 e 2027.

A combinação de mais receita com menos capex projeta um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF yield) superior a 15% em cenários de dólar mais alto. O preço-alvo para dezembro de 2027 é de R$ 65,50 — um upside expressivo frente aos R$ 43,06 da última sexta-feira.

Vale: o desconto que o mercado ainda não precificou

Para a Vale (VALE3), o JPMorgan enxerga uma “desconexão” entre fundamentos e cotação. O grande alívio veio com o acordo definitivo de Mariana, que removeu a principal incerteza jurídica que pesava sobre o papel há anos.

Operacionalmente, a mineradora entrega produção consistente e redução de custos. O banco argumenta que o mercado ainda não embutiu essa melhora estrutural no preço. A meta para dezembro de 2027 é R$ 112 por ação, quase o dobro do fechamento de R$ 61,90.

Atenção: os riscos seguem concentrados na volatilidade do minério de ferro e em eventuais paradas operacionais não programadas.

Gerdau: o escudo protecionista nos EUA

A Gerdau (GGBR4) completa a tríade com um diferencial geográfico forte: a exposição massiva ao mercado norte-americano. Tarifas de proteção ao aço importado nos EUA sustentam preços mais altos e demanda aquecida por lá.

Enquanto concorrentes brasileiros dependem quase exclusivamente do ciclo interno ou da China, a operação americana da Gerdau atua como um amortecedor de luxo. Em real desvalorizado, a conversão dos lucros em dólar reforça ainda mais o caixa. O alvo para dezembro de 2027 é R$ 35, ante R$ 25,22 atuais.

Resumo das metas do JPMorgan (Dez/2027)

Ação Preço-Alvo Fechamento Base Potencial
Suzano (SUZB3) R$ 65,50 R$ 43,06 +52%
Vale (VALE3) R$ 112,00 R$ 61,90 +81%
Gerdau (GGBR4) R$ 35,00 R$ 25,22 +39%

O que observar daqui para frente

A tese do JPMorgan não aposta em um “voo da galinha”, mas em uma recomposição de valuation baseada em fundamentos que já estão postos: dívida em dólar, ativos de classe mundial e gatilhos de oferta/demanda setoriais. O investidor que busca proteção contra a incerteza fiscal brasileira tem, nessas três, perfis de risco-retorno distintos — da celulose com ciclo longo ao aço com proteção tarifária imediata.

Vale monitorar os balanços do 4º trimestre para confirmar a trajetória de desalavancagem e a evolução do capex da Suzano pós-Cerrado. No caso da Vale, a execução do guidance de produção 2024 será o termômetro da credibilidade da nova gestão. Já para a Gerdau, o noticiário comercial dos EUA ditam o ritmo.