O ministro Cristiano Zanin determinou a extensão do horário de votação até as 19h em todo o território nacional neste domingo (25). A decisão atende a pedidos das duas principais campanhas presidenciais e afeta diretamente o desfecho do segundo turno.
O anúncio veio após reunião de emergência dos ministros do TSE, provocada por temporais que paralisaram transportes e alagaram vias em pelo menos 15 estados desde a madrugada.
O que motivou a decisão inédita
Pela legislação vigente, as urnas devem ser lacradas às 17h. Porém, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) protocolou pedido às 16h40 solicitando prorrogação em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O argumento: chuvas intensas dificultaram o deslocamento de eleitores nesses cinco estados.
Minutos antes, a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia feito solicitação semelhante, citando restrições no transporte coletivo em dez unidades da federação: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia.
Estados com registros de alagamentos e transporte parado
- São Paulo: regiões metropolitanas com ruas intransitáveis
- Rio Grande do Sul: cheias de rios isolaram municípios
- Bahia e Pernambuco: frota de ônibus reduzida em até 40%
- Paraná e Santa Catarina: deslizamentos interditaram estradas
O TSE não divulgou balanço consolidado de seções afetadas, mas confirmou que a totalização de votos foi suspensa temporariamente em todo o país às 17h15.
Como funciona a prorrogação na prática
A medida vale apenas para seções eleitorais que não haviam encerrado os trabalhos até as 17h. Locais onde a votação já estava finalizada não reabrem. Eleitores que estiverem na fila às 19h terão direito ao voto — regra já prevista no Código Eleitoral para situações normais.
Mesários foram orientados a manter as urnas ligadas e a não iniciar os procedimentos de lacração até nova comunicação oficial. O Tribunal Regional Eleitoral de cada estado atua como fiscal da execução.
Reação dos candidatos e próximos passos
Ambas as campanhas divulgaram notas comemorando a decisão. A equipe de Bolsonaro classificou como “vitória da democracia”. O comitê de Lula chamou de “garantia do direito de voto”.
O ministro Zanin convocou nova sessão extraordinária para as 20h30, quando deve ser apresentado o primeiro boletim de urnas totalizadas. A apuração, que costuma começar às 19h, iniciará com atraso estimado entre 60 e 90 minutos.
O que observar nas próximas horas
Três pontos merecem atenção de quem acompanha o pleito: a taxa de comparecimento nas regiões mais castigadas pela chuva, eventuais questionamentos judiciais sobre a legalidade da prorrogação nacional (em vez de restrita aos estados atingidos) e o horário efetivo de divulgação do resultado final — que pode avançar pela madrugada de segunda-feira.
O TSE prometeu transparência total: todos os boletins de urna serão publicados em tempo real no portal do tribunal, independentemente do horário de conclusão da apuração.
