Uma mãe deixou o filho de dois anos em uma creche municipal de Praia Grande e, uma hora depois, recebeu a foto de um hematoma roxo no rosto da criança. A escola alegou que o menino já chegou machucado, mas a versão desmoronou quando a família exigiu as imagens das câmeras.
A mensagem que mudou tudo
O caso ocorreu na terça-feira (20), na Escola Municipal Esmeralda dos Santos Novaes, no bairro Jardim Quietude. Por volta das 8h, a mãe deixou o filho na unidade. Por volta das 9h, o WhatsApp da família avisava: a criança tinha um machucado na testa.
O recado da equipe trazia uma afirmação taxativa: o hematoma era pré-existente. A resposta da mãe foi imediata: “Pode puxar as câmeras, meu filho foi com o rostinho limpo”.
Funcionária afastada, mas respostas não vêm
Dois dias após o episódio, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) convocou a família para uma reunião. Lá, a confirmação: uma das profissionais da sala havia sido afastada das funções.
Apesar da medida administrativa, a mãe saiu do encontro sem saber o que de fato aconteceu. “Eles não me passam o que ocorreu de verdade com meu filho, não me passam o porquê ela vai responder”, relatou.
O temor agora é outro: a transferência da servidora para outra unidade sem que a conduta seja esclarecida publicamente.
Um histórico apagado: onde estão os registros?
O hematoma na testa não foi um fato isolado. Nos seis meses em que o menino frequenta a creche, a mãe assinou diversos termos de ocorrência por mordidas. A justificativa da escola sempre girou em torno de quedas ou brigas por brinquedos.
Durante a reunião com a Seduc, porém, surgiu um dado alarmante: nenhum desses registros foi encontrado no caderno de ocorrências da unidade.
Os pontos que a investigação interna precisa esclarecer:
- Por que as fichas de ocorrência anteriores desapareceram do livro oficial?
- Quem tinha acesso ao documento para retirar ou omitir as anotações?
- As imagens da câmera da sala corroboram a versão de “queda” ou mostram outra dinâmica?
O comportamento da criança sinaliza medo
Além das marcas físicas, a rotina do menino mudou. Segundo a mãe, ele passou a chorar na porta da sala e a resistir a entrar na classe. A hipótese da família é de que a criança tenha tido a boca tampada ou sido contida de forma agressiva, já que a escola nega que ele tenha chorado ou reagido no momento do hematoma.
Um boletim de ocorrência por lesão corporal foi registrado no 1º Distrito Policial de Praia Grande. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) ainda não se manifestou sobre o inquérito.
O que observar daqui para frente
A apuração da Seduc promete averiguar tanto a conduta da funcionária afastada quanto o sumiço dos registros históricos do aluno. Para pais e responsáveis da rede municipal, o caso acende um alerta sobre a transparência dos diários de ocorrência e a eficácia do monitoramento por câmeras dentro das salas de aula.
Enquanto o inquérito policial e o processo administrativo correm em paralelo, a principal dúvida permanece: se não fosse a exigência das imagens, a versão de “chegou machucado de casa” teria sido a única versão oficial.
