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Justiça proíbe Guaraná Poty: “Cola eleitoral” vazou no canal interno…

Garrafa de Guaraná Poty sobre balança da justiça com martelo judicial, simbolizando proibição de pressão política
Justiça do Trabalho veta uso de canais internos da Guaraná Poty para campanha eleitoral.

A Justiça do Trabalho de São José do Rio Preto (SP) concedeu liminar que blinda os funcionários da Bebidas Poty de qualquer pressão política. A fabricante do Guaraná Poty está vetada de usar canais corporativos para distribuir material de campanha ou orientar votos. A multa diária por descumprimento chega a R$ 5.000 por infração.

O estopim foi o envio de uma “cola eleitoral” — lista com nomes e números de candidatos — pelo sistema de avisos interno. A mensagem atingiu cerca de 150 trabalhadores. Mas a decisão judicial vai muito além de apagar a mensagem.

O que a liminar exige na prática

O juiz substituto Rinaldo Soldan Joazeiro determinou um pacote de medidas imediatas. A empresa tem 48 horas para comprovar o cumprimento, sob pena de multa diária.

  • Veto total: Proibição de ameaças, coação, indução ou constrangimento político.
  • Comunicado interno: Divulgação obrigatória reafirmando a liberdade de voto e o sigilo da urna.
  • Multa pesada: R$ 5.000 por dia para cada item descumprido.

O fantasma de 2022 volta à tona

Este não é o primeiro round da Poty com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Em 2022, a empresa foi investigada por suspeita de pressionar funcionários a votar na reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na época, o MPT propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). A direção recusou a assinatura, condicionando-a a uma retratação da CUT, que havia denunciado o caso. O processo acabou arquivado por falta de provas. Agora, a reincidência pesou na decisão do magistrado.

Por que o poder hierárquico não entra na urna

A fundamentação da sentença é direta: o poder de direção da empresa sobre a atividade profissional não se estende à liberdade de consciência. O temor de perder o emprego, segundo o juiz, compromete a autonomia do voto.

Assédio eleitoral configura-se quando a hierarquia é usada para:

  • Ameaçar demissão ou retaliação por escolha política.
  • Oferecer benefícios condicionados a voto específico.
  • Criar ambiente de constrangimento para quem pensa diferente.

O calendário daqui para frente

A batalha processual está apenas começando. A audiência de instrução, com depoimentos e produção de provas, está marcada para 6 de novembro, às 8h. O processo tramita no TRT-15 (Campinas), para onde a Poty pode recorrer.

Além da ação civil pública, o MPT pede indenização por dano moral coletivo — valor ainda a ser definido. Uma cópia dos autos também seguiu para o Ministério Público Eleitoral, que pode abrir frente criminal.

O que observar nos próximos capítulos

A decisão cria um precedente prático para RHs e departamentos jurídicos: o uso de canais oficiais (e-mail, intranet, grupos de WhatsApp corporativos) para fins políticos virou alvo prioritário de fiscalização. Empresas que ignorarem a separação entre gestão de pessoas e orientação política correm risco financeiro imediato e exposição reputacional difícil de reverter. O desfecho da audiência de novembro dirá se o arquivo de 2022 foi um ponto final ou apenas um intervalo.