Economia

Como uma festa de Natal virou escola de dança com 1.000 alunos e 80 professores

Ana Maria Diniz sorri no Estúdio Anacã, escola de dança com 1.000 alunos em São Paulo
Empresária Ana Maria Diniz fundou o Estúdio Anacã, que hoje tem quase mil alunos e 80 professores.

A empresária Ana Maria Diniz transformou uma aula de dança improvisada num encontro de fim de ano no Estúdio Anacã, negócio que hoje reúne quase mil alunos e mais de 80 professores em São Paulo. A ideia nasceu em dezembro de 2009 e as portas abriram sete meses depois. O que começou como lazer entre amigas virou operação estruturada com comitê executivo, gestão profissional e duas frentes artísticas.

Tudo começou quando uma amiga sugeriu convidar Helo Gouvea, ex-professora de Diniz, para dar aula de walk dance — técnica criada para iniciantes — na festa de Natal tradicional do grupo. A experiência funcionou tão bem que Diniz, já com “cabeça empreendedora”, propôs alugar um salão para aulas semanais. O convite para sociedade veio na sequência.

Da sala alugada à estrutura de dois imóveis

O primeiro endereço funcionou na Avenida Brasil, no Jardim Paulista. Com o crescimento, o Anacã expandiu para dois imóveis na mesma região. O nome vem do tupi-guarani e significa “dança”, além de batizar uma ave brasileira.

Atualmente, a grade oferece cerca de 20 modalidades — sapateado, tango, jazz, balé clássico e ballet fitness entre elas. Jazz e walk dance lideram a procura. O portfólio ainda inclui projetos híbridos: teatro com dança e teatro com canto, unindo as vertentes Anacã Dança e Anacã Música.

Estratégia de entrada: semana grátis e professores “ícones”

Para atrair o público inicial, a dupla apostou em duas frentes de alto custo:

  • Semana de portas abertas — aulas gratuitas para experimentação
  • Contratação de professores renomados — os mais caros do mercado, definidos como “ícones”

Diniz admite que a escolha elevou a folha de pagamento, mas considerava essencial para construir reputação e validar o posicionamento premium da escola.

Governança: sócia-operadora e sócia-estratégica

Mais de 15 anos depois, a divisão de papéis permanece clara. Helo Gouvea integra o comitê executivo e está no estúdio diariamente — ministra aulas concorridas e acompanha a rotina. “Ela é a alma do negócio”, define Diniz.

A fundadora participa do mesmo comitê com visitas semanais. A operação conta com gestora profissional e equipe dedicada: vendas, marketing e recursos humanos. A estrutura permite que Diniz atue na estratégia sem abrir mão da governança.

O que observar daqui para frente

O modelo de parceria entre fundador visionário e especialista operacional — com gestão profissionalizada no meio — tem se mostrado resiliente. Para empreendedores de nicho, o caso sinaliza que investir em talento caro no início pode encurtar a curva de confiança do mercado. Já a expansão para linguagens híbridas (teatro, música) sugere que a diversificação de receita passa por cruzar públicos adjacentes, não apenas ampliar a grade original.