Economia

American Airlines prevê prejuízo em 2026: o combustível que engole as tarifas recordes

Avião da American Airlines no solo com tanque de combustível em destaque, simbolizando alta do querosene
O custo do querosene de aviação pressiona as margens da American Airlines apesar das tarifas recordes

A American Airlines jogou a toalha: a companhia agora projeta prejuízo para 2026, abandonando a estimativa anterior de lucro. O vilão tem nome e sobrenome — querosene de aviação — e está consumindo margens mais rápido do que as tarifas recordes conseguem recompor.

A virada é brusca. Até pouco tempo, a empresa trabalhava com uma faixa que ia de lucro de US$ 0,65 por ação a prejuízo de mesmo valor. Agora, a projeção ajustada aponta para perda entre US$ 1 e US$ 1,60 por ação. Em reais, algo entre R$ 5,05 e R$ 8,05 negativos por papel.

O choque do combustível não espera

Desde o início do conflito no Irã, o preço do combustível de aviação disparou. As aéreas americanas elevaram as tarifas em média 23% nos sete meses até setembro, segundo o Departamento do Trabalho. Mesmo assim, a conta não fecha.

A volatilidade torna qualquer previsão de custo um exercício de futurologia. Sem horizonte para o fim da guerra, o planejamento financeiro virou tiro no escuro.

Repassar ou perder o passageiro?

O dilema central: quanto do aumento dá para embutir na passagem sem derrubar a demanda? Até agora, o apetite por viagens segurou firme. Mas há um limite elástico — e ninguém sabe onde ele rompe.

Os concorrentes já sinalizam a resposta. Delta e United admitem que o setor pode precisar cortar capacidade para manter o poder de precificação. Ed Bastian, CEO da Delta, foi direto: as empresas terão que restringir o crescimento operacional no próximo ano para sustentar tarifas mais altas e proteger a lucratividade.

O trimestre que já mostra a cicatriz

No terceiro trimestre, a American registrou prejuízo líquido de US$ 269 milhões (R$ 1,36 bilhão), ou US$ 0,41 por ação. No mesmo período de 2024, a perda fora de US$ 114 milhões (R$ 573 milhões), ou US$ 0,17 por ação. A deterioração é nítida.

Do lado da receita, há um contraponto: faturamento de US$ 16,3 bilhões (R$ 82,1 bilhões), alta de 19,3% ano a ano. As tarifas mais caras funcionaram — só não funcionaram o bastante.

  • Prejuízo projetado 2026: US$ 1 a US$ 1,60 por ação (ajustado)
  • Previsão anterior: lucro de US$ 0,65 a prejuízo de US$ 0,65 por ação
  • Prejuízo Q3 2025: US$ 269 milhões (US$ 0,41/ação)
  • Receita Q3 2025: US$ 16,3 bi (+19,3% a/a)
  • Alta média das tarifas (7 meses até set/25): ~23%

O que vem pela frente

A equação agora tem três variáveis incertas: duração do conflito no Irã, elasticidade da demanda diante de tarifas ainda mais altas e disposição das concorrentes para cortar voos em conjunto. Qualquer movimento em uma delas reescreve o cenário.

Para quem observa o setor — investidores, gestores de frota, compradores corporativos —, o sinal é claro: a era de crescimento despreocupado acabou. A próxima temporada de resultados dirá se os cortes de capacidade anunciados pelos rivais serão suficientes para estancar a sangria. Ou se a American Airlines terá companhia no vermelho.