Economia

Prédio histórico no Centro vira shopping de ambulantes: 20 anos de cessão aprovados

Prédio histórico tombado na Praça da Bandeira, Teresina, futuro Shopping da Cidade para ambulantes
Edifício abandonado no Centro de Teresina será transformado em shopping popular após cessão de 20 anos aprovada pela Alepi.

Um imóvel tombado que jaz abandonado na Praça da Bandeira há anos será transformado na segunda unidade do Shopping da Cidade. A Assembleia Legislativa aprovou nesta quinta-feira (22) a cessão do prédio pelo Governo do Estado à Prefeitura de Teresina por duas décadas. A medida promete reorganizar o comércio informal no coração da capital.

O edifício, que já abrigou o Diário Oficial e a Companhia Editorial do Piauí, está desativado e apresenta deterioração visível. Tombado desde 1992, o imóvel exige intervenção urgente — e a responsabilidade por reformas, adaptações e manutenção passa agora integralmente para o município.

O que muda para quem trabalha na informalidade

A criação de um novo Shopping da Cidade atende a uma demanda antiga: oferecer estrutura digna a vendedores ambulantes que hoje ocupam calçadas e vias públicas do Centro. Com boxes padronizados, banheiros, segurança e área de convivência, o modelo já testado na primeira unidade mostrou resultados concretos.

  • Formalização: ambulantes passam a ter CNPJ e emitem nota fiscal
  • Infraestrutura: energia, água, climatização e armazenamento
  • Localização estratégica: fluxo intenso de pedestres na Praça da Bandeira
  • Ordem urbana: liberação de passeios e melhoria na mobilidade

Mas o efeito mais relevante aparece na dinâmica imobiliária do entorno.

Impacto no valor do entorno e na arrecadação

Estudos de casos semelhantes em outras capitais nordestinas indicam valorização de 15% a 30% nos imóveis do entorno imediato em até 24 meses após a inauguração de equipamentos desse porte. Para o município, a contrapartida está na arrecadação de ISS, IPTU e taxas de licenciamento — receitas que hoje escapam com o comércio totalmente informal.

A Prefeitura ainda não divulgou cronograma de obras nem orçamento estimado. A expectativa é que o edital de licitação para a reforma saia no primeiro semestre de 2025, com entrega prevista para o ano seguinte.

Riscos no horizonte: execução e gestão

O prazo de 20 anos parece longo, mas impõe prazos apertados. A legislação de tombamento exige aprovação do IPHAN e do Conselho Municipal de Patrimônio para qualquer intervenção na fachada e nas áreas estruturais. Atrasos nesses licenciamentos são frequentes e podem consumir anos do contrato.

Outro ponto sensível: a gestão do Shopping da Cidade. A primeira unidade opera sob concessão mista, com entidade de classe responsável pela administração cotidiana. Replicar o modelo exige seleção transparente de operador, regimento interno claro e mecanismo de fiscalização contínua — sem isso, o espaço degrada em poucos meses.

O que observar daqui pra frente

Três marcos definirão se a promessa vira realidade: publicação do edital de reforma, definição do modelo de gestão e cronograma de realocação dos ambulantes. Empresários do Centro e investidores imobiliários devem monitorar especialmente a valorização de imóveis nas ruas adjacentes à Praça da Bandeira — ali, a mudança de uso do solo tende a antecipar movimentos de mercado.