Elon Musk confirmou pela primeira vez que comitês especiais independentes estão negociando formalmente a união entre SpaceX e Tesla. A declaração, feita em teleconferência com investidores na terça-feira (21), fez as ações das duas empresas subirem 8% no after-hours.
O bilionário classificou a ideia como “boa”, mas foi cauteloso: os comitês ainda não definiram termos e podem nunca chegar a um acordo. Como parte interessada, Musk está impedido de participar das discussões.
O que está em jogo para o acionista
Uma fusão daria a Musk controle majoritário da nova entidade — ele detém cerca de 20% da Tesla e pouco menos de 50% da SpaceX. Analistas veem sinergias claras: chips próprios, data centers orbitais e frota de veículos conectados por Starlink.
O Barclays projetou que um anúncio poderia ocorrer antes da assembleia anual da Tesla, em dezembro. A montadora já contratou um banco de investimentos para assessorar o processo.
Números que explicam o apetite
- Receita SpaceX (3T24): US$ 14,58 bi — alta de 161% ano a ano
- Receita de IA: US$ 7,56 bi — salto de quase 10x, puxada por aluguel de capacidade para Anthropic, Google e Reflection AI
- Capex: US$ 19,6 bi — quase triplicou, sinalizando expansão agressiva de infraestrutura
- Meta de receita recorrente (2027): US$ 500 bi a US$ 1 tri
O dado mais revelador: o negócio principal da SpaceX hoje se assemelha mais a um provedor de nuvem do que a uma empresa de foguetes. O Starlink banca a operação, mas a IA está virando o motor de crescimento.
Terafab: a joint venture que ninguém comenta
Paralelamente, a Terafab — parceria de fabricação de chips entre as duas empresas — deve entregar seu primeiro wafer de teste entre maio e junho de 2025. Produção em massa é prevista para o terceiro trimestre de 2028.
Se a fusão sair, a verticalização do silício ao satélite estaria completa. Musk não detalhou cronograma, mas a existência da Terafab sugere que a integração tecnológica já começou antes da união societária.
O que observar daqui para frente
Três gatilhos podem acelerar ou travar o negócio: a definição de valuation pelos comitês independentes, a aprovação dos acionistas minoritários da Tesla (que já processaram Musk por conflitos de interesse no passado) e a execução do Starship — ainda o maior risco operacional da SpaceX.
Enquanto isso, a Tesla sobe 1,8% no pré-mercado e o mercado precifica a opcionalidade. Quem leu até aqui sabe: a fusão não é certeza, mas a arquitetura para ela já está montada.
